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25 de out. de 2011

Liberdade no humor

Desrespeito ou brincadeira? No último mês, a frase "eu comeria ela e o bebê", dita pelo humorista Rafinha Bastos no programa CQC, da Rede Bandeirantes, sobre a cantora Wanessa, que está grávida, teve grande repercussão. A artista sentiu-se ofendida, acionou a emissora e o humorista foi suspenso por tempo indeterminado. Após a punição, Rafinha, que é autor de outras declarações polêmicas, atacou a cantora e o canal nas redes sociais. Ele chegou a pedir demissão, mas a questão ainda está em aberto na emissora.

O programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, reuniu comentaristas de peso e apresentou reflexões interessantes sobre o caso. Outros temas expostos atualmente também foram tratados de forma exemplar.

Parte 1 


Parte 2


Parte 3 


Este caso envolvendo Rafinha Bastos e Wanessa já foi tratado aqui no blog. Relembre: 


20 de out. de 2011

"Nem eu aguento mais ouvir falar de mim"

A frase acima é do humorista Rafinha Bastos, publicada por ele no Twitter. O desabafo não foi feito à toa. O pobre rapaz passa por maus bocados. Recentemente, fez uma piada no CQC envolvendo a cantora Wanessa (ex-Camargo). Na ocasião, Bastos disse que comeria ela e o bebê que a futura mamãe espera. 


Do meu ponto de vista, esta foi a maneira que este brilhante humorista encontrou para, ao mesmo tempo, dizer "minha nossa! Como Wanessa está linda!" e fazer os outros rirem (que é a função dele). Depois de brincar com o saboroso prato que gostaria de ter em seu cardápio, Rafinha Bastos começou a receber críticas de milhões de defensores do humor politicamente correto. Inclusive de celebridades.

Em outra postagem aqui no blog, destaquei a postura do veterano Chico Anysio que, em entrevista, disse que sequer conhece o trabalho de Rafinha Bastos e que admira humoristas de verdade como Leandro Hassum, Eri Johnson, Rodrigo Sant'anna, Maria Clara Gueiros, Nelson reitas, Marcus Melhem, Heroísa Perissé, Claudia Jimenez e Bruno Mazzeo. Obviamente, Anysio falou o que pode ser a maior besteira de sua vida. Ao dizer que só conhece humoristas da TV Globo, mostrou o quanto está fechado em seu casulo, achando-se o rei da cocada preta. Nesta geração de pessoas cada vez mais conectadas, o humor politicamente correto está cada vez mais fraco e chato.

Não se deve perder o respeito pelas pessoas. Mas, neste caso com Wanessa, que é uma celebridade jovem, não vejo motivos para criticarem tanto. Não concordo também com a suspensão dada pela TV Band ao humorista.

Em uma edição do CQC 3.0, Rafinha Bastos respondeu a uma pergunta sobre outras piadas que fez. Sua explicação se encaixa muito bem nesta que continua sendo a história da vez envolvendo a filha do Zezé. 


Fato

O humor que o CQC faz é irônico, fictícico. O que é dito lá não é para ser levado a sério (exceto as reportagens). Como disse Rafinha Bastos em uma oportunidade: "Brasil é o país onde as pessoas riem de políticos e levam humoristas a sério". Ignorância? Acho que sim. 

14 de out. de 2011

Chico Anysio mal informado

O comediante Chico Anysio desdenhou do humorista Rafinha Bastos, do programa Custe o Que Custar (CQC), envolvido em controvérsias por ter feito piadas pesadas com famosos. Chico Anysio parece ter sido convencido pela Globo de que é o próprio rei da cocada preta. Logo, ninguém pior que ele para criticar a concorrência.

Em entrevista ao site da revista Veja, Chico Anysio diz desconhecer o trabalho de Rafinha Bastos e acreditar que ele não é humorista. "Se ele fizesse humor, eu o conheceria, como conheço Leandro Hassum, Eri Johnson, Rodrigo Sant'anna, Maria Clara Gueiros, Nelson Freitas, Marcius Melhem, Heloisa Périssé, Claudia Jimenez e Bruno Mazzeo."

O já não tão engraçado Chico Anysio (foto: divulgação TV Globo, João Cotta)
O papel de Rafinha Bastos no cenário humorístico brasileiro vem sendo alvo de questionamentos desde que ele gerou polêmica ao fazer uma brincadeira de mau gosto na bancada do CQC, da Band. Na ocasião, Bastos disse que "comeria" a cantora Wanessa, grávida de oito meses, e o seu bebê. O episódio culminou na suspensão do humorista. Rafinha teria inclusive feito à emissora um pedido formal de demissão.

O comediante Rafinha Bastos (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

Curioso que Chico Anysio só conhece humoristas que são da Globo, como se não existisse mais ninguém no mundo. Isso sim é uma piada de mal gosto. Aliás, o humor dele tem sido bem sem graça. 

É lógico que Chico Anysio e a TV Globo conhecem e acompanham o trabalho dos humoristas da Bandeirantes, porque estão roubando toda sua audiência. Observem que na segunda-feira à noite, enquanto a Band exibe o CQC, a Globo tenta emplacar o filme da noite na Tela Quente, custe o que custar. Criou, inclusive, mais uma novela (porque sabe que de novela o povão gosta e para a massa menos crítica do país, O Astro é bem melhor que um programa de humor que encosta lideranças políticas na parede e toca em assuntos polêmicos com os quais o jurássico humor politicamente correto da TV Globo não tem coragem de mexer. 

Quando Chico Anysio diz que não conhece Rafinha Bastos, está fazendo doce. Se fingindo de limpinho e desfazendo de quem está conseguindo colocar outra emissora na frente da Globo. Comportamento que, aliás, é bastante comum em todos os níveis da televisão dos Marinho. 

30 de mar. de 2011

Jair Balsonaro: deputado promíscuo


Marcelo Tas compõe a bancada do CQC (foto: divulgação TV Band)
Eu sou fã declarado do programa "CQC", da Band. Minha admiração por esta atração cresce ainda mais quando eles jogam ao ar algum ilustre parlamentar provando sua incompetência e falta de noção das coisas. Na última segunda-feira (28), o programa comandado por Marcelo Tas apresentou, no quadro "O Povo Quer Saber", as abobrinhas ditas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O político fez declarações racistas e homofóbicas.

Crescem as reações da sociedade civil organizada contra as declarações “racista e homofóbicas” dadas pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) para o programa humorístico de televisão CQC, na última segunda-feira.

Hoje (30), a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB/RJ) ingressou com uma representação contra o deputado por quebra de decoro parlamentar. Na avaliação da entidade, as declarações do deputado “são inaceitavelmente ofensivas pois têm um cunho racista e homofóbico”, incompatível com as melhores tradições parlamentares brasileiras. “Por isso, vou oficiar o corregedor da Câmara dos Deputados para abertura imediata de processo por quebra de decoro parlamentar contra o referido deputado. O Congresso não merece ter em suas fileiras parlamentares que manifestam ódio a negros e gays", disse Wadih Damous, presidente regional da Ordem.

Também hoje, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) promoveu um ato de repúdio às declarações do deputado, durante reunião no Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ). O interlocutor da comissão, Ivanir Santos, disse que é necessário abortar manifestações do tipo das proferidas pelo deputado imediatamente. “Ouvir, em pleno ano de 2011, falas como essas tornam necessário que se atente ainda mais para os perigos que a sociedade corre quando pensamentos fundamentalistas começam a nos rodear. A irresponsabilidade dessas declarações é muito grande”.

Já o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, reagiu com indignação às declarações do deputado federal Jair Bolsonaro. A entidade estuda, com o seu departamento jurídico, a adoção de medidas contra o ato de racismo.

Dentre outras ofensas, o deputado, respondendo a uma pergunta da cantora Preta Gil sobre o que faria se o filho se apaixonasse por uma negra, respondeu que não iria “discutir promiscuidade”.

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