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19 de dez. de 2024

Pitanguiense do Dia: Juraci do Silvio Santos

#pitanguiensedodia | A servidora municipal aposentada Juracy Lucia (Juraci do Silvio Santos) é a convidada desta edição do "Pitanguiense do Dia", podcast que se propõe a contar histórias de cidadãos de Pitangui que se destacam não só pelo trabalho que fazem ou pelo patrimônio que construíram, mas também pelas pessoas que são.




24 de out. de 2012

O talento de Gabi Nunes

Um talento esperando para ser descoberto. Esta é a pitanguiense Gabrielle Nunes (a Gabi). Com sua voz afinada, interpreta canções de ícones da música mundial. Em 2011, ela usou o YouTube para divulgar sua vocação. Com uma câmera simples, em um quarto, perto de um computador, gravou "Hero", de Mariah Carey, e já obteve mais de 2.000 visualizações.



Depois, usando o computador para fazer o acompanhamento instrumental, soltou a voz na interpretação de "Only Hope", de Mandy Moore. Já foi assistida mais de mil vezes. 


Que o talento da Gabi seja descoberto por alguém do disputado mercado fonográfico e  ela consiga cantar para públicos maiores. Talento para competição musical, ela tem. 


16 de mai. de 2012

Pitangui no jornal Estado de Minas




O jornal Estado de Minas, veículo de mídia impressa mais prestigiado em Minas Gerais, publicou, dia 15/5, reportagem sobre Pitangui em seu caderno de Turismo. O texto foi confeccionado pelo jornalista Paulo Henrique Lobato, que é descendente de família pitanguiense. Ao garimpar informações, o repórter recorreu ao blog Daqui de Pitangui, que já foi mostrado aqui como página da internet que divulga o município. Parabéns ao jornal pela excelente pauta, ao repórter pela excelente reportagem e a turma do blog que, novamente, teve o trabalho merecidamente reconhecido. 

Leia a matéria na íntegra

VIDA BOA LONGE DA AGITAÇÃO

Cidade, que já foi uma das mais importantes vilas do ouro do estado, é boa opção para servisitada e curtida. Berço de muita história, é ideal para quem busca tranquilidade

Paulo Henrique Lobato 
  
Última das chamadas sete vilas do ouro em Minas, Pitangui, fundada por bandeirantes paulistas, em 1715, é boa pedida para quem deseja passar um fim de semana ou feriado prolongado longe dos grandes centros urbanos. Casarões e fazendas coloniais, becos e outras paisagens bucólicas, minas de ouro desativadas, pescaria nos rios Pará e São João, rica culinária e um povo bastante acolhedor são algumas das muitas características dessa cidade histórica do Centro-Oeste do estado, no sopé da Serra Cruz do Monte, a 150 quilômetros de Belo Horizonte e com cerca de 25 mil habitantes.

O Centro do lugarejo, também chamado de Velha Serrana, é tombado pelo Instituto Histórico do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), num total de 16 ruas e becos e 132 imóveis. Por isso, uma dica: comece seu passeio pelas ladeiras antigas, onde está a maior concentração de casarões dos séculos 18 e 19. Lá também está a matriz de Nossa Senhora do Pilar, erguida, na década de 1940, em substituição à antiga igreja jogada ao chão por um incêndio.

Padre Belchior

Tanto o interior quanto o exterior da matriz merecem a atenção dos visitantes. Do lado de dentro, painéis coloridos do artista Giancarlo Scapolatempore, natural da cidade, contam passagens bíblicas. Do lado de fora, um dos atrativos é a escada que dá acesso à igreja. É lá que está enterrado o corpo de padre Belchior (1775-1856), conselheiro e confidente de dom Pedro I (1798-1834) e personagem importante na separação do Brasil do reino português.

Uma escritura na lápide do pároco informa que, em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga (SP), o imperador, tão logo recebeu a famosa carta de José Bonifácio de Andrada, avisando-o da importância de a independência ser declarada, perguntou ao amigo: “E agora, padre Belchior?”. O pároco respondeu: “Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil, será prisioneiro das cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação”.

Poucos metros acima da matriz, o imponente chafariz erguido na Praça Getúlio Vargas, datado de 1835, também ajuda a contar a história do município. Na parte frontal, o brasão do Império e a frase em latim, Viva a Constituiçam. “O chafariz também era um espaço social, onde escravos, por exemplo, se agrupavam para conversar”, conta o turismólogo Leonardo Morato. Ele e três amigos – Dênio Caldas, Licínio Filho e Vandeir Santos – montaram o blog Daqui de Pitangui (http://daquidepitangui.blogspot.com.br/).

O site, criado para resgatar a memória histórica e divulgar a cultura da cidade, sugere como passeio agradável uma ida à Serra Cruz do Monte, de onde se avista toda a cidade. “É um dos cartões-postais do local. Lá, há uma capelinha que foi erguida pelos escravos. A visão panorâmica da região é única”, diz o historiador Licínio Filho, nascido na capital e radicado em Pitangui há 12 anos.

Outra pedida é visitar, ou pelo menos apreciar, as fachadas dos casarões antigos, como o que serviu de moradia a Maria Tangará, uma das mulheres mais influentes do estado no século 18. Dona de grande extensão de terra e de centenas de escravos, ela também é lembrada por moradores antigos como uma das mulheres mais malvadas de sua época. Diz o dito popular, por exemplo, que Tangará mandou arrancar os dentes de uma escrava ao ouvir o marido elogiar o sorriso da negra. Hoje, o imóvel abriga uma escola pública.

Aconchego

Pitangui tem bons restaurantes, que oferecem a típica comida mineira. Para quem gosta de tomar uma cerveja gelada, a cidade conta com movimentados bares. A rede hoteleira também é para todos os gostos, de simples pousadas a hotel fazenda.

Para chegar ao município, siga de carro pela duplicada BR-262, em direção ao Triângulo Mineiro, e, a cinco quilômetros de Nova Serrana, entre à esquerda, na BR-494. A sétima vila do ouro fica 30 quilômetros adiante.

Saiba mais

Mãe de outras cidades

Mais do que a sétima Vila do Ouro – as outras seis, pela ordem cronológica, são Mariana, Ouro Preto, Serro, São João del-Rei, Sabará e Caeté –, Pitangui deu origem a várias cidades do Centro-Oeste mineiro. Entre seus ex-distritos ou ex-povoados estão Pará de Minas, Bom Despacho, Divinópolis, Luz, Martinho Campos e Nova Serrana. Pitangui foi fundada por desbravadores paulistas e, hoje, uma das festas mais tradicionais do município é a lavagem, com mangueiras e baldes d’água, de uma estátua, no Bairro Penha, erguida em homenagem aos bandeirantes que ajudaram a colonizar a região. A festa ocorre no domingo de carnaval.

3 de abr. de 2012

Os 93 anos da EEMAO

Ricardo Welbert

A Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira (EEMAO), em Pitangui, é uma das mais antigas instituições de ensino do Centro-Oeste mineiro. Fundada em 31 de março de 1919, comemorou seus 93 anos de existência em uma manhã de sábado bastante movimentada. Alunos, professores e outros funcionários prepararam diversos trabalhos para uma exposição que aconteceu na própria escola. 

A escola ficou bastante movimentada na manhã de sábado, 31/3
(foto: Ricardo Welbert)

Mensagem fixada na entrada da EEMAO (foto: Ricardo Welbert)
O primeiro nome da escola foi Gymnásio de Pitanguy. Em 10 de fevereiro de 1922, foi rebatizada para Escola Normal de Pitanguy. Em 1929, o estabelecimento foi reconhecido pelo governo de Minas, que o comparou com a Escola Normal de Belo Horizonte. Por ser uma das primeiras casas de ensino da região, a EEMAO formou alunos residentes em diversos municípios vizinhos, como Divinópolis, Leandro Ferreira, Maravilhas, Pompéu, entre outros. O curioso é que depois de concluírem o curso normal, os estudantes podiam trabalhar como professores. 

Alunos assistem a palestra durante as comemorações pelo aniversário da escola
(foto: Ricardo Welbert)
Hoje, e Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira forma alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, do 1º ao 3º do Médio e ainda oferece o Projeto Acelerar para Vencer, onde o estudante cursa dois anos em um. Um caso de grande sucesso é o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), que recebe adultos de todas as idades que paralisaram os estudos no Ensino Médio. 

Neste ano de 2012, a EEMAO oferece educação para mil estudantes, sendo 600 no turno da manhã, 120 à tarde e 280 à noite. Entre os funcionários, são 61 empregos diretos. 

Em 26 de junho de 2008, o Simave/Proeb, uma avaliação estadual, colocou a escola em 2º lugar de aprovação no conteúdo de Matemática para o 3º ano do Ensino Médio, entre as 62 escolas da Secretaria Regional de Ensino. Grande na educação e no espaço físico, a EEMAO possui uma área total de 30.000 m² e oferece a seus alunos um laboratório completo, duas salas de informática, um auditório com capacidade para 300 pessoas, uma biblioteca e 16 amplas salas de aulas. 

Uma das partes da escola (foto: Ricardo Welbert)
Diversos eventos compõem o calendário anual da casa de ensino. Entre eles, a Feira de Cultura, o concurso Garoto e Garota EEMAO e o Festival da Canção. Nos esportes, a atuação é garantida nos Jogos Estudantis de Pitangui e de Minas Gerais. 

Diretor da EEMAO há oito anos, Marco Antônio Saldanha reconhece a tradição da instituição na formação de seus alunos. “O ensino praticado aqui foi o alicerce da formação profissional de muitos médicos, advogados, políticos, entre outros profissionais reconhecidos em muitos lugares”, disse. Para Marco Antônio, o maior orgulho da escola é a aprovação de seus alunos em vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio. 

Diretor da EEMAO, Marco Antônio Saldanha diz que aprovações em vestibulares são o orgulho da escola
(foto: Ricardo Welbert)
Como nem tudo são flores, o diretor ressalta a falta de cobertura na quadra de esportes da escola como um grande problema a ser resolvido. “Já conseguimos a reforma da quadra e até construímos uma escadaria de acesso a ela, mas a cobertura ainda não se concretizou. Existe um projeto que foi enviado ao Ministério da Educação. Estamos aguardando a liberação da verba”, disse. 

Mesmo aos 93 anos, quadra da escola continua sem cobertura
e alunos seguem praticando Educação Física debaixo de sol (foto: Ricardo Welbert)
Outra grande preocupação da escola, segundo seu diretor, é o consumo de drogas entre jovens. “Acho que toda escola hoje em dia precisa saber lidar com casos de alunos que se envolvem com drogas, tentar usar a educação e o esporte para livrar os jvoens dessa enrascada e lutar para impedir a entrada de entorpecentes no ambiente escolar”. Na avaliação de Marco Antônio, o fator que mais contribui para o envolvimento de jovens com drogas é a falta de apoio familiar. “Embora existam casos de filhos viciados em famílias estáveis, a maior parte está relacionada a famílias desestruturadas, cujos pais são ausentes, não acompanham a vida escolar dos filhos e não incentivam a prática esportiva. A escola precisa resgatar estes alunos e possibilitar a eles boas colocações na sociedade”, afirma. 

Em conversa com alunos no auditório da escola, o diretor falou sobre o fato de que muitos dos pais deles estudaram na EEMAO. “Vocês precisam se orgulhar por estudarem aqui. Muitos jovens estão à espera de vagas e não podemos aceitá-los agora porque as turmas estão cheias demais”, disse Marco Antônio. Uma aluna abriu as comemorações com a leitura de um poema que escreveu sobre a instituição e foi bastante aplaudida por todos.

Aluna apresenta poema sobre a escola (foto: Ricardo Welbert)
Combate às drogas

Ponto alto da comemoração pelos 93 anos da EEMAO foi a palestra sobre drogas realizada por integrantes da Sociedade Vida e Renascer (Sovir), que é um centro de reabilitação para viciados que funciona em Conceição do Pará. Conhecido como “fazendinha”, o lugar abriga cerca de cem pessoas e já atendeu outras mil e quinhentas. 

Integrante da Sociedade Vida e Renascer conta sobre suas experiências com drogas
(foto: Ricardo Welbert)
W. F. M., de Pará de Minas, está há oito meses se recuperando. Ele pediu atenção aos alunos. “É importante que vocês sejam conscientes de suas escolhas. Eu afundei ao escolher o mundo das drogas. Arrependo-me por não ter dado ouvidos à minha mãe, que tentou me ajudar logo no início. Quando acordei, já era dependente das drogas”, contou. 

Natural de Itapecerica, H. L. D. S. contou que consumia drogas apenas para “fazer bonito e aparecer”. Mas, no fim das contas, não viu beleza no vício e muito menos conseguiu algum lugar de destaque na sociedade. “Por isso, hoje não quero mais saber de droga”, contou. 

Alerta parecido foi dado por J. A. P., natural de Belo Horizonte. “Metade da minha vida foi embora com as drogas. Não dei ouvidos a quem me alertava e perdi o prestígio até mesmo com os meus pais. Foi muito triste. Hoje, estou muito feliz, pois a recuperação está sendo um sucesso. Fico ainda mais feliz porque meu filho está aqui na platéia, me assistindo”, disse ele. 

L. S. é do Norte de Minas e também contou sua experiência. “Eu achava que era feliz, até que conheci o crack. Essa droga me tirou condições básicas de vida, como o emprego e a dignidade”. 

Ao final da palestra, os rapazes mostram seu grito de guerra contra as drogas, entoando em volume alto: “Eu quero ser feliz! Eu preciso ser feliz! Eu sou feliz! Vida! Jesus! Força!”. 

Alunos aprovaram

O estudante Jaime Alves da Silva Júnior, de 19 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, contou o que achou da palestra. “Cada pessoa que está relatando suas experiências é importante, pois foram usuárias de drogas e estão nos contando o quanto saíram prejudicadas por isso. A palestra é fortificante para elas e para nós, alunos”.

Melissa Vasconcelos, 15, que também cursa o 1º ano, aprendeu bastante. “Tudo o que eles falaram foi muito importante. Nos mostraram que jovens não precisam usar drogas para serem felizes, pois elas servem apenas para deixar o usuário sem família e amigos”, contou. 

A presidente da Sovir, Vera Cançado, que administra a “fazendinha”, falou sobre a importância de levar aos jovens as mensagens dos ex-viciados. “Esse contato com os mais novos é necessário para que conheçam os males causados pelas drogas por meio de testemunhos de pessoas que viveram tristes experiências”, afirmou. 

Vera Cançado, presidente da Sovir (foto: Ricardo Welbert)
No momento em que falava com a reportagem, Vera foi surpreendida pela estudante Ana Carolina Júnia Petronilho, de 16 anos, aluna do 7º ano do Ensino Fundamental. Emocionada, a garota agradeceu pela palestra. “Os depoimentos foram maravilhosos e mexeram comigo porque conheço alguém que foi viciado e hoje está no caminho certo da recuperação”, contou. 

Sara Ferreira Guimarães, 12, também aluna do 7º, foi outra que aprovou a palestra. “Adorei! Aprendi que não devemos usar drogas porque nos causam muitos sofrimentos”. 

As estudantes Ana Carolina e Sara Ferreira (foto: Ricardo Welbert)
Vídeos educativos

Na sala de informática da escola, alunos usaram computadores para exibir vídeos sobre os males causados pelas drogas à saúde das pessoas. Ao chegar, o visitante assinava o nome em uma lista, se sentava ao computador, colocava os fones de ouvido e assistia aos trabalhos produzidos. Ao sair, avaliava com nota de zero a cinco.

Escritores locais

Outro destaque da comemoração pelos 93 anos da Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira foi o cantinho dos escritores pitanguienses, criado em uma das salas. O poeta Jorge Mendes Guerra Brasil, de 66 anos, conta que nunca estudou na EEMAO, mas já mencionou a escola em alguns trabalhos seus. “Os alunos daqui costumam me procurar quando fazem trabalhos sobre a cultura local e pedem que eu venha falar para eles. Eu venho”. 

O poeta José Antônio de Freitas é inspetor de alunos da EEMAO há 36 anos e tem grande admiração pela escola. “Vivenciei muitas mudanças positivas desde que comecei a trabalhar aqui, em outubro de 1975. Em minha lembrança, tenho muitas histórias interessantes com alunos e colegas de trabalho”, conta. 

Palavras dos ex-alunos

Uma das turmas produziu uma exposição com mensagens de muitos ex-alunos. 

Cada folha trazia a mensagem de um ex-aluno (foto: Ricardo Welbert)
Mensagem de uma ex-aluna (foto: Ricardo Welbert)
Estudante lê as mensagens de ex-alunos (foto: Ricardo Welbert)
Palavras das serviçais

Quem não se lembra da cozinheira da escola? A fase da educação básica, além de ser de extrema importância para a formação pessoal e profissional, proporciona diversos momentos gostosos que levamos na lembrança para a vida toda. Maria José Ambrósio ocupa este cargo há quase 20 anos na EEMAO e afirma gostar muito do que faz. “Eu amo e faço tudo com muita dedicação. Gosto da escola e torço pelo sucesso de cada aluno. Nesta comemoração de aniversário, é importante transmitir aos jovens o valor histórico da escola, que deve ser preservado para ser repassado às próximas gerações”, ela disse. 

Antônia Salomé de Faria é ajudante de serviços gerais e aluna do EJA. “Depois de 35 anos sem estudar, voltei à escola porque o Estado exigirá de seus funcionários pelo menos o Ensino Médio completo. Gosto muito de trabalhar e estudar aqui na EEMAO. É um lugar muito bom”, afirma. 

Maria José (E) e Antônia Salomé (foto: Ricardo Welbert)
Shows musicais

Para finalizar a manhã de comemorações pelo aniversário da EEMAO, alunos, ex-alunos e professores se reuniram para duas apresentações que prenderam a atenção do público. A primeira, com Aliny Lee e convidados. Em seguida, foi a vez da banda Quatro Estações. 

Aliny Lee e convidados (foto: Ricardo Welbert)
Quatro Estações (foto: Ricardo Welbert)
O diretor da EEMAO, Marco Antônio Saldanha, acompanhou de perto cada uma das etapas da comemoração. Ao final, três alunas pediram para serem fotografadas ao lado do diretor. 

As alunas Marcela Silva, Letícia Gomes e Melyssa Mayra com o diretor, Marco Antônio Saldanha
(foto: Ricardo Welbert) 

25 de fev. de 2012

O poeta José Antônio de Freitas


Pitangui é um município conhecido por ter muitos artistas talentosos. Um deles é José Antônio de Freitas, de 63 anos, um dos melhores poetas da região. Nesta quinta-feira (24), ele recebeu-me em sua casa, no bairro Gameleira. Pude ver de perto os muitos troféus, certificados, diplomas e medalhas que conquistou com seu trabalhos.


Como visitante curioso que sou, comecei a reparar nos detalhes a partir da entrada. Na parede externa, a poesia do proprietário: "A casa que nos aquece e na qual muito me amarro, tão humilde até parece casinha de joão-de-barro".


Marcamos minha visita para as dez da manhã. Cheguei no horário marcado e lá estava meu personagem. Feliz, contou-me uma engraçadíssima piada de loira que acabara de ler no jornal. Rimos juntos. Continuei esquadrinhando o cenário à procura de curiosidades. Percebi o quanto José Antônio gosta de ter o lugar em que mora decorado com o que lhe agrada. Poesias suas aparecem pintadas nas paredes, expostas em quadros, panos e papéis desde a porta da sala até a janela do quarto.


Enquanto me mostrava seus livros e declamava poemas, fui perguntando algumas coisas e anotando. José Antônio de Freitas nasceu em primeiro de janeiro de 1949. Conta-me que sempre gostou muito de ler e escrever. Foi redator do jornal Município de Pitangui e colaborador assíduo de várias publicações maiores.


Como já morou em várias cidades do Brasil, ele relata (com os olhos brilhando), teve contato direto com grandes nomes da literatura nacional. Faz questão de destacar a pessoa de Murillo Araújo (que encontrou em São Paulo) e J. G. de Araújo Jorge, no Rio de Janeiro.


Freitas conta que seu grande incentivador na arte de compor poesias foi o já falecido poeta cearense Eno Theodoro Wanke, que considera seu padrinho literário.


José Antônio de Freitas se orgulha de possuir cerca de duzentas congratulações (entre troféus, medalhas, diplomas e placas de prata conseguidas em concursos de poesias ou em reconhecimento pelos seus trabalhos culturais). É também compositor. Músicas de sua autoria foram gravadas em parceria com o maestro Espedito Marciano e com a dupla sertaneja regional Nilda e Nicilda.


O acervo de fitas e CDs que tem em seu quarto e escritório também surpreende. Freitas executa no aparelho de som alguns poemas que gravou para o programa radiofônico Saudade não tem idade, exibido pela Ativa FM, e fala sobre a vontade que tem de apresentar um programa cultural. "Eu queria apresentar um programa no qual pudesse recitar poesias sobre Pitangui e contar as histórias da nossa gente".


Em vista de suas premiações, conhece boa parte do Brasil. Recentemente, esteve em Bandeirantes, no Norte do Paraná, e em Nova Friburgo, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. É filiado à União Brasileira de Trovadores (UBT) e representa a instituição em Pitangui. Já promoveu no município sete edições dos Jogos Florais (concursos de trovas a nível nacional). Essas competições sempre trazem poetas e trovadores de vários lugares, aquecendo o turismo.


Apesar de ser apaixonado pela poesia, viver apenas dela em Pitangui é difícil. Na “vida prosaica”, José Antônio de Freitas é funcionário público estadual. Exerce desde três de outubro de 1975 a função de inspetor de alunos na Escola Estadual Professor José Valadares. Com tanta experiência, sempre faz alguns outros trabalhos dentro da tradicional unidade de ensino.


José Antônio de Freitas publicou livros que tiveram excelente aceitação (principalmente entre críticos de literatura). Ele lamenta, porém, que um certo pitanguiense tenha afirmado a ele, uma vez, que a cidade não possui bons poetas e escritores – razão pela qual ninguém (nem mesmo os órgãos públicos) se aventura a patrocinar obras de artistas da terra.




























O autor protesta dizendo que se alguém ou algum órgão público se interessar em investir no povo local, descobriria grandes talentos. “É preciso investigar, conhecer realmente o que uma pessoa é capaz de produzir”. Para ele, dizer que Pitangui não possui bons poetas e escritores é o cúmulo do absurdo. “É desconsideração, por exemplo, ao talento de um Marcos Antônio de Faria (Barrica)”.


Mudando de assunto, Freitas diz que possui escritos que ninguém conhece ainda. Exemplo é o livro Toda poesia, com cerca de duzentas páginas, nas quais expõe seus melhores trabalhos – muitos tratando unicamente de Pitangui, bem como sua História, sua gente, seus costumes, tipos populares, etc. “É um livro que, acredito, fará sucesso quando for publicado, pois o escrevi de todo coração e com todo amor que tenho à terra em que nasci”, ele diz.


"Sonhar é bom. Mas para fazer a ideia se tornar realidade, é preciso apoio financeiro. “E cadê o patrocínio? Sozinho, com meus pouco recursos, não consigo publicá-lo”, lamenta. 

Reconhecimento

Apesar de tantos obstáculos, José Antônio de Freitas é reconhecido na cidade. Pitanguienses ilustres manifestaram publicamente a admiração pelo poeta. 

“Desde rapazinho, é o legítimo sucessor de Bahia de Vasconcelos. Refiro-me a José Antônio de Freitas, que considero o poeta-mor da atualidade poética em Pitangui” (Geraldo Guerra em Coisas que acontecem, publicado no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, em 16 de julho de 1986)

“Continue a sua caminhada poética com ternura e muito amor, buscando a paz, sonhada por você, não só para engrandecer Pitangui, que tem, na sua poesia, um dos maiores poetas da terra” (Tasso Lacerda Machado)

“Diante de sua poesia, José Antônio, cabe-nos render-lhe homenagem como grande poeta pitanguiense” (Maria José Valério Calderaro Teixeira)

“Nós, pitanguienses, nos orgulhamos de você e de sua participação social através da poesia” (Maria de Lourdes Teixeira Viegas). 

O poeta segue

Durante a visita a José Antônio de Freitas, mal percebi o tempo passar, pois tamanho era seu vigor em recitar para mim suas melhores criações – a maioria delas sem sequer olhar o papel. Poderia dar-me a folha e seguir me dizendo, verso por verso, tudo o que está escrito nela. Eu, que já nutria certa admiração por seu trabalho, fiquei ainda mais fã. Pude perceber o quanto este alegre senhor realmente entende de composição literária. Sabe tudo sobre metrificação e composição textual. É impressionante!


Também, pudera. Freitas conta-me que estudou a fundo a literatura poética. “De que adianta ter apoio financeiro e não ter conhecimento sobre o próprio trabalho?”, pergunta.


Antes de terminarmos a conversa, me pediu para lhe dizer um tema qualquer para que pudesse compor, ali mesmo, de improviso, alguma coisa. Pensei... pensei... (quase entrei em pânico porque nenhum tema me vinha à mente)... pensei e pedi que produzisse algo em homenagem a todas as pessoas que, à sua forma, lutam pela preservação da História de Pitangui. 

O resultado: 

“Quem luta por ter História
a cidade em que nasceu, 
bem merece ter a glória
que hoje tem e merece!”. 

É de encher os olhos, os ouvidos e o coração!

Pergunto se existe diferença em produzir sob encomenda ou esperar pela inspiração. Ele responde: “quem escreve por encomenda, pensa no dinheiro. Quem deixa a inspiração falar mais alto, pensa no efeito que aquilo poderá causar no coração das pessoas”. 

Veja mais fotos da visita ao poeta 





















































Reportagem e fotos: Ricardo Welbert