Arquivo do blog

Compartilhe

Mostrando postagens com marcador Jornalismo inútil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo inútil. Mostrar todas as postagens

29 de mai. de 2012

Antiética no telejornalismo

Engana-se quem pensa que os maus profissionais do telejornalismo estão apenas nas emissoras pequenas, que não conseguem pagar para ter os melhores jornalistas. Em tempos de internet, são milhares os exemplos de materiais ruins produzidos por trabalhadores das grandes redes. Passeando pelo YouTube, encontrei esta entrevista, feita por uma repórter da TV Bandeirantes. É possível perceber que este link tornou-se um viral, recebendo, até agora, 1.012.568 acessos. Se faz rir, o povo gosta. 


Como diz Boris Casoy: "isso é uma vergonha"! 

O rapaz foi preso sob acusação de estupro. A repórter precisa perguntar ao suspeito o que ele sente e se aceita ou não a acusação. O rapaz se defende (direito dele), afirmando que não estuprou a vítima. Por simples desconhecimento técnico sobre o nome de um exame clínico que talvez pudesse provar sua inocência, o rapaz erra o nome do procedimento e vira motivo de chacota para a repórter. 

Não consigo encontrar palavras para comentar a atitude dessa "jornalista". Teria essa jovem passado por uma faculdade de Jornalismo? Se passou, não aprendeu nada. Ela fere diversos princípios básicos de Ética e Moralidade. O jornalista que cobre crimes precisa ter muito cuidado para não condenar um suspeito perante a opinião pública. Suspeito é apenas suspeito. Apenas a Justiça pode julgá-lo e condená-lo - ainda assim, por meio de provas. A repórter tira sarro do rapaz, afirmando que se não estuprou, gostaria de estuprar.

Sinceramente, se eu fosse diretor de jornalismo da Band, colocaria essa pseudo-jornalista no olho da rua por justa causa. Na canopla daquele microfone está a logomarca de uma rede de televisão (uma empresa que, para se valorizar no mercado, precisa de credibilidade). Você, leitor, atribui credibilidade a esta repórter?

23 de jan. de 2012

Luíza, Canadá, jornalismo e crítica

Na última semana, ela figurou por bastante tempo na lista de assuntos mais falados na internet. Depois, foi para a TV - o que alimentou novas aparições na internet. Saiu em jornais e revistas e foi discutida também em emissoras de rádio. Famosa por não ter feito absolutamente nada além de ir para o Canadá, Luíza se tornou um hit após a publicação, na internet, de um comercial da Paraíba. Na propaganda, o pai da garota fala sobre um empreendimento e cita que o sucesso do prédio é tão grande que ele convocou toda a família, menos Luíza, que está no Canadá fazendo um intercâmbio. 

Ainda não viu?


Por motivos que não consigo entender, o vídeo foi bastante compartilhado nas redes sociais e não deu outra: a Rede Globo de televisão contou a "fantástica" história de Luíza em alguns de seus telejornais (sei que a personagem esteve no Bom Dia, Brasil e no Jornal Hoje). 

Na última sexta-feira (20), promovi em meu mural do Facebook uma discussão interessante em torno da postura de internautas e da imprensa brasileira em torno do fenômeno "Luiza, que estava no Canadá". Deixei um recado para que colegas jornalistas se ligassem no que disse o âncora do Jornal do SBT, Carlos Nascimento, a respeito do assunto. 


Alguns amigos meus alimentaram um pequeno debate que considerei interessante ao ponto de reproduzí-lo neste blog. 

Michele Fernanda (radialista em Divinópolis, MG) - "Nos "Video Show" da vida, programas como os de Ana Maria Braga e Sônia Abrão, eu entenderia esse negócio de ter Luíza como pauta. Mas em telejornal? Gente do céu! O mundo esta se "idiotizando". Todos se comportam como adolescentes de 13 anos, sem almejar algo sério, sem se preocupar com o amanhã. Eu sabia que os três pilares do modernismo (Hedonismo, Individualismo e Narcisimo) estavam concretizados, mas não sabia que a alienação e a idiotice fariam parte da modernidade. 

Ricardo Welbert (eu mesmo) - "Exatamente, Michele. Pautas que até pouco tempo só eram trabalhadas por estes programas que citou, estão ganhando espaço nos grandes telejornais das grandes (em tamanho empresarial, não em conteúdo) empresas de comunicação. Percebo que a televisão está com tanto medo da evidente perda de audiência para a internet, que não está vendo outra solução senão transferir para a telinha tudo o que bomba na rede. Quem assistia televisão para consumir jornalismo de qualidade não está encontrando outra solução a não ser migrar para os grandes (em conteúdo) portais de notícias".

Tatiana Santos (radialista em Cláudio, MG) - ""Transferir para a telinha tudo o que bomba na rede". Isso é basicamente o resumo da programação de domingo no SBT. Exibem infinitos "Top 10 da Internet". Poxa! Com tantos programas criativos para exibir...". 

Ricardo Welbert (eu mesmo) - "O pior, Tatiana Santos e Michele Fernanda, é que a população menos escolarizada gosta disso. E como no Brasil ela é maioria, a audiência destes canais ainda se mantém. Mas estamos na era da informação. Nossos filhos nascerão em um mundo onde o conhecimento chega em grandes quantidades, apurando o senso crítico. Acredito que daqui a três gerações, a situação será melhor (ou, caso eu esteja errado, bem pior)".

Tatiana Santos (radialista em Cláudio, MG) - "Sim, Ricardo. Se está no ar é porque tem audiência, infelizmente".

Renato Faria (jornalista e artista plástico em Pitangui, MG) - "Discordo. Tem sempre aqueles que querem achar problema e culpados em tudo e o jornalismo do SBT cumpre bem esse papel. Para vocês jornalistas, a grande repercussão do caso Luíza é legitimamente noticiável por grandes veículos de comunicação por se tratar de um fait diver (fato diverso). Além do mais, foi uma brincadeira inocente, engraçada e de bom gosto. E até onde eu sei, bom humor não é sinal de imbecilidade". 

Ricardo Welbert (eu mesmo) - "Estou aqui mostrando nossa discussão para meu cunhado Wilton Pedro, e ele disse o seguinte: "a Globo criou um espaço nas manhãs de domingo chamado Globo Rural para exibir notícias agrícolas - e não muito raramente toca em assuntos relacionados ao campo em outros programas. Poxa, se tem cinco minutos no Bom Dia Brasil e no Jornal Hoje para essa futilidade ("Luíza que está..."), porque não ocupar esse tempo com prestação de serviços aos agricultores e pecuaristas, por exemplo? Seria imensamente mais útil para estes telespectadores assistir a uma reportagem sobre o desenvolvimento das técnicas de abate ou transporte de carne do que sobre uma menina que ninguém conhece e que eles, na zona rural, nunca viram antes e nem se interessam em saber o que raios ela foi fazer no Canadá".

Tatiana Santos (radialista em Cláudio, MG) - "Humor não é imbecilidade. Mas, até onde eu sei, jornalismo não é humor.

Ricardo Welbert (eu mesmo) - "Sobre o comentário feito por meu cunhado, quando diz que seria melhor se a Globo noticiasse nos telejornais conteúdos mais úteis, penso que, mesmo para esta, que é a maior emissora de TV do país, preencher espaço de tela com os (como bem lembrou a Tatiana Santos) "tops" da internet é mais barato que colocar jornalistas para trabalharem como verdadeiros jornalistas, mostrando a realidade do mundo. Ao invés disso, reproduzem historinhas recortadas da internet. Aliás, o repórter Flávio Fachel (da Globo) em seu "Manual de #telejornalismo", ensina que assuntos já gastos na internet não merecem muita consideração nas pautas para TV. Que coisa, não?

Renato Faria (jornalista e artista plástico em Pitangui, MG) - "Reitero: o caso Luíza é um fato noticiável, e não se trata de uma futilidade ou mera reprodução dos “tops” da internet. A repercussão da brincadeira tomou proporções inéditas e começou a se alastrar a outros espaços midiáticos. Lembremos, aproximadamente 52% dos brasileiros não tem qualquer acesso à internet. Seria realmente estranho se a Rede Globo, ou qualquer veículo de comunicação sério, ignorasse esse fato. Não entendo porque vocês e o Nascimento se irritaram tanto com essa pauta, rs. Eu gostei. Tatiana, o jornalismo em si não é humor, mas também não precisa ser tão sério".

Ricardo Welbert (eu mesmo) - "Concordo que a TV não deve ignorar alguns fatos que repercutem pela internet, mas neste caso este (especificamente), penso (como telespectador e internauta) que a Globo exagerou. Mas, claro, existem as intenções por trás do noticiado. Quem na internet ainda não viu a foto de Luíza com o apresentador do Jornal Hoje? Pode até ser que antes de formular sua opinião, Carlos Nascimento tenha previsto a repercussão que sua fala teria depois de publicada na internet. Sendo que 52% dos brasileiros não acessam a internet, a TV ainda pode se consolidar como um meio de comunicação diferenciado em conteúdo - coisa que, hoje, não tem sido".

Renato Faria (jornalista e artista plástico em Pitangui, MG) - "Quando vocês falam que "o mundo está se idiotizando", ou que "não existe mais jornalismo de qualidade" ou "já fomos mais inteligentes", vocês estão sendo saudosistas radicais! O mundo muda sempre, se adapta e se transforma para atender à novas demandas. Ao contrário do que aparentam acreditar, aos meus olhos a qualidade da TV, ou pelo menos o cuidado com os fatos em telejornais, só tem melhorado!".

Qual a sua opinião?

Deixe seu comentário. Alimente o debate sobre o jornalismo contemporâneo.

16 de dez. de 2010

Pelo fim do público inconsciente (e inconsequente)


Por que será que muita gente passa valiosas horas de seus inúteis dias publicando fetiches pessoais na internet ao invés de trabalhar e aproveitar as coisas boas da vida? O chato é que sei a resposta: porque infelizmente sempre tem alguém ainda mais desocupado que consome tais conteúdos. A imprensa, por exemplo, entope as páginas das revitas, jornais e sites com idiotices como "Mariah Carey publica foto do cãozinho dela no Twitter", "Luana Piovani toma sorvete com o filho na praia". E daí? E daí?? E daí, caramba???

A gente fica sabendo das porcarias sem querer porque uma praga de jornalistas mal sucedidos ficam produzindo merda depois de merda. Pior que muita gente pára para ler, ouvir, assistir e até comprar esse tipo de coisa. Talvez porque seja fã do artista (nesse caso, ainda vai - desde que não chegue a ser fanatismo paranóico).

Piores são aqueles indivíduos desconhecidos que ninguém quer conhecer e que criam perfis no Orkut, Facebook, Twitter e afins e os inundam de fotos. Todo mundo louco para ser a próxima sub-celebridade do momento. E os programas de TV que ficam expondo pessoas que publicam imagens suas na internet, taxando-as de engraçadas, hilárias, etc.? É a banalização total do "eu".

As pessoas tentam parecer o que não são para ganhar mais notoriedade - exatamente o que acontece com os imbecis que participam do Big Brother e com os mais imbecis ainda que gastam dinheiro ligando para elimar alguém daquela bagaça idiota e mais ridícula de todas. Sugiro que as ciências da Comunicação Social sejam disciplinas dos ensinos Fundamental e Médio. Talvez assim as próximas gerações sejam formadas por atores sociais mais conscientes.