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3 de abr. de 2012

Os 93 anos da EEMAO

Ricardo Welbert

A Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira (EEMAO), em Pitangui, é uma das mais antigas instituições de ensino do Centro-Oeste mineiro. Fundada em 31 de março de 1919, comemorou seus 93 anos de existência em uma manhã de sábado bastante movimentada. Alunos, professores e outros funcionários prepararam diversos trabalhos para uma exposição que aconteceu na própria escola. 

A escola ficou bastante movimentada na manhã de sábado, 31/3
(foto: Ricardo Welbert)

Mensagem fixada na entrada da EEMAO (foto: Ricardo Welbert)
O primeiro nome da escola foi Gymnásio de Pitanguy. Em 10 de fevereiro de 1922, foi rebatizada para Escola Normal de Pitanguy. Em 1929, o estabelecimento foi reconhecido pelo governo de Minas, que o comparou com a Escola Normal de Belo Horizonte. Por ser uma das primeiras casas de ensino da região, a EEMAO formou alunos residentes em diversos municípios vizinhos, como Divinópolis, Leandro Ferreira, Maravilhas, Pompéu, entre outros. O curioso é que depois de concluírem o curso normal, os estudantes podiam trabalhar como professores. 

Alunos assistem a palestra durante as comemorações pelo aniversário da escola
(foto: Ricardo Welbert)
Hoje, e Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira forma alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, do 1º ao 3º do Médio e ainda oferece o Projeto Acelerar para Vencer, onde o estudante cursa dois anos em um. Um caso de grande sucesso é o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), que recebe adultos de todas as idades que paralisaram os estudos no Ensino Médio. 

Neste ano de 2012, a EEMAO oferece educação para mil estudantes, sendo 600 no turno da manhã, 120 à tarde e 280 à noite. Entre os funcionários, são 61 empregos diretos. 

Em 26 de junho de 2008, o Simave/Proeb, uma avaliação estadual, colocou a escola em 2º lugar de aprovação no conteúdo de Matemática para o 3º ano do Ensino Médio, entre as 62 escolas da Secretaria Regional de Ensino. Grande na educação e no espaço físico, a EEMAO possui uma área total de 30.000 m² e oferece a seus alunos um laboratório completo, duas salas de informática, um auditório com capacidade para 300 pessoas, uma biblioteca e 16 amplas salas de aulas. 

Uma das partes da escola (foto: Ricardo Welbert)
Diversos eventos compõem o calendário anual da casa de ensino. Entre eles, a Feira de Cultura, o concurso Garoto e Garota EEMAO e o Festival da Canção. Nos esportes, a atuação é garantida nos Jogos Estudantis de Pitangui e de Minas Gerais. 

Diretor da EEMAO há oito anos, Marco Antônio Saldanha reconhece a tradição da instituição na formação de seus alunos. “O ensino praticado aqui foi o alicerce da formação profissional de muitos médicos, advogados, políticos, entre outros profissionais reconhecidos em muitos lugares”, disse. Para Marco Antônio, o maior orgulho da escola é a aprovação de seus alunos em vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio. 

Diretor da EEMAO, Marco Antônio Saldanha diz que aprovações em vestibulares são o orgulho da escola
(foto: Ricardo Welbert)
Como nem tudo são flores, o diretor ressalta a falta de cobertura na quadra de esportes da escola como um grande problema a ser resolvido. “Já conseguimos a reforma da quadra e até construímos uma escadaria de acesso a ela, mas a cobertura ainda não se concretizou. Existe um projeto que foi enviado ao Ministério da Educação. Estamos aguardando a liberação da verba”, disse. 

Mesmo aos 93 anos, quadra da escola continua sem cobertura
e alunos seguem praticando Educação Física debaixo de sol (foto: Ricardo Welbert)
Outra grande preocupação da escola, segundo seu diretor, é o consumo de drogas entre jovens. “Acho que toda escola hoje em dia precisa saber lidar com casos de alunos que se envolvem com drogas, tentar usar a educação e o esporte para livrar os jvoens dessa enrascada e lutar para impedir a entrada de entorpecentes no ambiente escolar”. Na avaliação de Marco Antônio, o fator que mais contribui para o envolvimento de jovens com drogas é a falta de apoio familiar. “Embora existam casos de filhos viciados em famílias estáveis, a maior parte está relacionada a famílias desestruturadas, cujos pais são ausentes, não acompanham a vida escolar dos filhos e não incentivam a prática esportiva. A escola precisa resgatar estes alunos e possibilitar a eles boas colocações na sociedade”, afirma. 

Em conversa com alunos no auditório da escola, o diretor falou sobre o fato de que muitos dos pais deles estudaram na EEMAO. “Vocês precisam se orgulhar por estudarem aqui. Muitos jovens estão à espera de vagas e não podemos aceitá-los agora porque as turmas estão cheias demais”, disse Marco Antônio. Uma aluna abriu as comemorações com a leitura de um poema que escreveu sobre a instituição e foi bastante aplaudida por todos.

Aluna apresenta poema sobre a escola (foto: Ricardo Welbert)
Combate às drogas

Ponto alto da comemoração pelos 93 anos da EEMAO foi a palestra sobre drogas realizada por integrantes da Sociedade Vida e Renascer (Sovir), que é um centro de reabilitação para viciados que funciona em Conceição do Pará. Conhecido como “fazendinha”, o lugar abriga cerca de cem pessoas e já atendeu outras mil e quinhentas. 

Integrante da Sociedade Vida e Renascer conta sobre suas experiências com drogas
(foto: Ricardo Welbert)
W. F. M., de Pará de Minas, está há oito meses se recuperando. Ele pediu atenção aos alunos. “É importante que vocês sejam conscientes de suas escolhas. Eu afundei ao escolher o mundo das drogas. Arrependo-me por não ter dado ouvidos à minha mãe, que tentou me ajudar logo no início. Quando acordei, já era dependente das drogas”, contou. 

Natural de Itapecerica, H. L. D. S. contou que consumia drogas apenas para “fazer bonito e aparecer”. Mas, no fim das contas, não viu beleza no vício e muito menos conseguiu algum lugar de destaque na sociedade. “Por isso, hoje não quero mais saber de droga”, contou. 

Alerta parecido foi dado por J. A. P., natural de Belo Horizonte. “Metade da minha vida foi embora com as drogas. Não dei ouvidos a quem me alertava e perdi o prestígio até mesmo com os meus pais. Foi muito triste. Hoje, estou muito feliz, pois a recuperação está sendo um sucesso. Fico ainda mais feliz porque meu filho está aqui na platéia, me assistindo”, disse ele. 

L. S. é do Norte de Minas e também contou sua experiência. “Eu achava que era feliz, até que conheci o crack. Essa droga me tirou condições básicas de vida, como o emprego e a dignidade”. 

Ao final da palestra, os rapazes mostram seu grito de guerra contra as drogas, entoando em volume alto: “Eu quero ser feliz! Eu preciso ser feliz! Eu sou feliz! Vida! Jesus! Força!”. 

Alunos aprovaram

O estudante Jaime Alves da Silva Júnior, de 19 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, contou o que achou da palestra. “Cada pessoa que está relatando suas experiências é importante, pois foram usuárias de drogas e estão nos contando o quanto saíram prejudicadas por isso. A palestra é fortificante para elas e para nós, alunos”.

Melissa Vasconcelos, 15, que também cursa o 1º ano, aprendeu bastante. “Tudo o que eles falaram foi muito importante. Nos mostraram que jovens não precisam usar drogas para serem felizes, pois elas servem apenas para deixar o usuário sem família e amigos”, contou. 

A presidente da Sovir, Vera Cançado, que administra a “fazendinha”, falou sobre a importância de levar aos jovens as mensagens dos ex-viciados. “Esse contato com os mais novos é necessário para que conheçam os males causados pelas drogas por meio de testemunhos de pessoas que viveram tristes experiências”, afirmou. 

Vera Cançado, presidente da Sovir (foto: Ricardo Welbert)
No momento em que falava com a reportagem, Vera foi surpreendida pela estudante Ana Carolina Júnia Petronilho, de 16 anos, aluna do 7º ano do Ensino Fundamental. Emocionada, a garota agradeceu pela palestra. “Os depoimentos foram maravilhosos e mexeram comigo porque conheço alguém que foi viciado e hoje está no caminho certo da recuperação”, contou. 

Sara Ferreira Guimarães, 12, também aluna do 7º, foi outra que aprovou a palestra. “Adorei! Aprendi que não devemos usar drogas porque nos causam muitos sofrimentos”. 

As estudantes Ana Carolina e Sara Ferreira (foto: Ricardo Welbert)
Vídeos educativos

Na sala de informática da escola, alunos usaram computadores para exibir vídeos sobre os males causados pelas drogas à saúde das pessoas. Ao chegar, o visitante assinava o nome em uma lista, se sentava ao computador, colocava os fones de ouvido e assistia aos trabalhos produzidos. Ao sair, avaliava com nota de zero a cinco.

Escritores locais

Outro destaque da comemoração pelos 93 anos da Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira foi o cantinho dos escritores pitanguienses, criado em uma das salas. O poeta Jorge Mendes Guerra Brasil, de 66 anos, conta que nunca estudou na EEMAO, mas já mencionou a escola em alguns trabalhos seus. “Os alunos daqui costumam me procurar quando fazem trabalhos sobre a cultura local e pedem que eu venha falar para eles. Eu venho”. 

O poeta José Antônio de Freitas é inspetor de alunos da EEMAO há 36 anos e tem grande admiração pela escola. “Vivenciei muitas mudanças positivas desde que comecei a trabalhar aqui, em outubro de 1975. Em minha lembrança, tenho muitas histórias interessantes com alunos e colegas de trabalho”, conta. 

Palavras dos ex-alunos

Uma das turmas produziu uma exposição com mensagens de muitos ex-alunos. 

Cada folha trazia a mensagem de um ex-aluno (foto: Ricardo Welbert)
Mensagem de uma ex-aluna (foto: Ricardo Welbert)
Estudante lê as mensagens de ex-alunos (foto: Ricardo Welbert)
Palavras das serviçais

Quem não se lembra da cozinheira da escola? A fase da educação básica, além de ser de extrema importância para a formação pessoal e profissional, proporciona diversos momentos gostosos que levamos na lembrança para a vida toda. Maria José Ambrósio ocupa este cargo há quase 20 anos na EEMAO e afirma gostar muito do que faz. “Eu amo e faço tudo com muita dedicação. Gosto da escola e torço pelo sucesso de cada aluno. Nesta comemoração de aniversário, é importante transmitir aos jovens o valor histórico da escola, que deve ser preservado para ser repassado às próximas gerações”, ela disse. 

Antônia Salomé de Faria é ajudante de serviços gerais e aluna do EJA. “Depois de 35 anos sem estudar, voltei à escola porque o Estado exigirá de seus funcionários pelo menos o Ensino Médio completo. Gosto muito de trabalhar e estudar aqui na EEMAO. É um lugar muito bom”, afirma. 

Maria José (E) e Antônia Salomé (foto: Ricardo Welbert)
Shows musicais

Para finalizar a manhã de comemorações pelo aniversário da EEMAO, alunos, ex-alunos e professores se reuniram para duas apresentações que prenderam a atenção do público. A primeira, com Aliny Lee e convidados. Em seguida, foi a vez da banda Quatro Estações. 

Aliny Lee e convidados (foto: Ricardo Welbert)
Quatro Estações (foto: Ricardo Welbert)
O diretor da EEMAO, Marco Antônio Saldanha, acompanhou de perto cada uma das etapas da comemoração. Ao final, três alunas pediram para serem fotografadas ao lado do diretor. 

As alunas Marcela Silva, Letícia Gomes e Melyssa Mayra com o diretor, Marco Antônio Saldanha
(foto: Ricardo Welbert) 

13 de fev. de 2012

Jornal O Independente - Janeiro de 2012

Atenção, pitangueinses! Já está em circulação na cidade a edição número 372 do jornal O Independente. Entre os destaques, uma reportagem minha e do também estudante de Jornalismo Fábio Machado sobre a "invasão alemã" ocorrida em Pitangui no longínquo ano de 1973. O texto, originalmente publicado na revista Questões, da Fundação Educacional de Divinópolis, saiu no jornal pitanguiense divido em duas partes (o final estará em sua próxima edição).


A capa da edição de janeiro revela o estrago causado pelas recentes chuvas na Rua Conceição Maria dos Santos, no bairro Padre Libério. Segundo o jornal, pessoas que moram perto do local estão desamparadas, pois a via se tornou um local perigoso por causa do barranco que tem, aproximadamente, três metros de profundidade. 

Na imagem acima, feita pelo repórter fotográfico Gabriel Barbosa, é possível
compreender a preocupação dos moradores em relação ao buraco
E ainda

Na página dois, está publicado o artigo "A exportação pitanguiense", de Vandeir Santos, que é colaborador do blog Daqui de Pitangui. Outro item que compõe a mesma página é um informe publicitário da Câmara Municipal de Pitangui, com informações sobre a 41ª reunião ordinária da Legislatura 2009/2012, realizada no dia 13 de dezembro de 2011.

Na página três, está publicada uma reportagem minha (que também saiu aqui no blog) sobre o prêmio que um escritor pitanguiense recebeu em um município do estado de São Paulo. Jorge Mendes Guerra Brasil, que já publicou quatro livros, me recebeu em casa e falou sobre seus trabalhos. 

Escritor pitanguiense é premiado em SP
Na página quatro, a já mencionada reportagem que fiz em parceria com Fábio Machado. O texto trata da possível existência de alta radioatividade que alimenta a criatividade de alguns, estimula o medo em outros e atrai novas hipóteses.

Primeira parte da reportagem ocupou uma página inteira
Na página cinco, a campanha publicitária de José Isalte na disputa pela presidência da cooperativa de crédito  rural Sicoob Credicoop, de Pitangui.

Nas páginas de seis a dez o leitor confere os balanços do Sicoob CredPit, outra cooperativa local.

Na página 11, o jornal informa sobre a terceira edição da Lavagem do Bandeirante, evento carnavalesco produzido pelos amigos do blog Daqui de Pitangui. Será no dia 19 de fevereiro, às 16h, na praça da igreja da Penha. O objetivo, segundo os organizadores, é promover e estimular a cultura popular, relembrando os primeiros desbravadores que contribuíram para a fundação da sétima vila do ouro das Minas Gerais.

A criançada também foi notícia. Marcella Renó e Yasmin Coutinho posaram para o jornal. Mas elas não foram as únicas crianças na página, pois é possível perceber os sorriso da meninada durante a entrega de 74 caixas de leite à Associação de Proteção e Amparo ao Menor (Apam) de Pitangui. O alimento foi arrecadado durante o campeonato municipal de futsal.

E o carnaval em Pitangui? Será que este ano o negócio vai bombar? É o que pergunta o jornal ao divulgar a programação da prefeitura municipal para o carnaval criado para agradar a parcela de público que não compra abadás para as comemorações privadas.

Na página doze, os esportes. O time do Souza Paiol chegou à sua terceira conquista no Campeonato Municipal de Futsal. A Liga Esportiva Pitanguiense promoveu o troféu César Caldas, que homenageia o desportista pitanguiense falecido em 2011. A lista completa dos agraciados foi publicada. E ainda tem as opções de compra, venda ou troca nos classificados do Classigrátis.

O jornal O Independente circula há 22 anos em Pitangui e é, ao meu ver, o que mais tem histórias para contar (tanto as histórias do passado quanto as do presente, contadas a cada edição, e as que virão). Faça sua assinatura e receba em casa. Ligue 37-3271-3057 ou compareça à redação na Praça Getúlio Vargas, 49, no Centro de Pitangui.

24 de jan. de 2012

Escritor pitanguiense é premiado em SP

Jorge exibe certificado e medalha que recebeu em concurso literário
(foto: Ricardo Welbert. 24/12/11)
O escritor pitanguiense Jorge Mendes Guerra Brasil participou do 27º Concurso de Poesias da Biblioteca Municipal João XXIII, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Ele concorreu pela categoria Adulto de Outras Cidades e foi agraciado com o 5º lugar. A cerimônia aconteceu no centro cultural da cidade, no dia 25/11. 

Certificado que Jorge recebeu
(foto: Ricardo Welbert. 24/11/11)
Mais de 800 participantes disputaram. Jorge conta que viu o anúncio do concurso em um folheto colocado na biblioteca pública de Pitangui e se interessou em participar. O regulamento exigia que cada participante enviasse dois trabalhos de sua autoria, que seriam lidos e analisados pela comissão julgadora. Jorge enviou seus poemas Retrocesso, publicado no livro Percorrendo Pitangui, de 2005, e O Milagre, contido no livro Minhas rimas, minha terra, nossas histórias, de 2007. 

Um mês depois, recebeu um telefonema da coordenadora, Iraci Beraldi Mascarini, informando que havia sido premiado em quinto lugar com Retrocesso. “Fiquei nas alturas, emocionado demais. Foi uma das coisas boas que aconteceram em minha vida. Saber que meu trabalho estava sendo reconhecido em outros lugares do nosso Brasil”, diz o escritor. 

Biblioteca João XXIII, em Mogi Guaçu, SP
(foto: arquivo pessoal de Jorge Mendes)
Recebendo o prêmio

Jorge embarcou de Belo Horizonte para Mogi Guaçu às 21h do dia 24/11. Passou a madrugada na estrada e chegou bem cedo na cidade onde seria premiado. Como o evento aconteceria às 17h, aproveitou o tempo livre para conhecer os pontos turísticos do lugar. “É uma cidade histórica muito bonita. Uma das maiores atrações é o museu sobre a estrada de ferro mogiana, que fez história no século vinte”, conta.

Registro feito pelo escritor Jorge Mendes no município paulista
(foto: acervo pessoal do autor)
Na hora marcada, estava na Biblioteca João XXIII, instalada no Centro Cultural de Mogi Guaçu. Ele conta que teve uma ótima impressão do ambiente. “A cidade é muito hospitaleira e aconchegante. Fui recebido muito bem”.

O escritor pitanguiense em seu momento de glória
(foto: acervo pessoal de Jorge Mendes)
Cerca de cem pessoas estiveram no auditório prestigiando os 36 participantes da competição que receberiam o certificado, uma medalha e uma coletânea com todos os trabalhos que participaram do concurso.

Público presente (foto: acervo pessoal de Jorge Mendes)
Jorge conta que alguns participantes se atrasaram e outros faltaram à cerimônia de premiação. Por já estar com sua passagem de volta comprada, precisou deixar o local do evento sem conversar mais com outros participantes. 

Analisando seu exemplar da coletânea que reuniu os textos que foram vitoriosos no concurso, Jorge lamenta que o nome das cidades dos autores não tenha sido publicado. Na página 7, onde está seu poema Retrocesso, o texto aparece da seguinte forma:

27º Concurso de Poesia

RETROCESSO

Busca-me ó sonhos da infância. 
Busca-me que eu quero ir, 
Aos sonhos de criança
Nas brincadeira e festanças. 
A pular, gritar e rir. 

Busca-me ó tempos de outrora. 
Busca-me que eu quero voltar, 
Àqueles tempos de glórias. 
Dos contos e das histórias
Que eu pasmava a escutar. 

Busca-me ó épocas douradas
Busca-me não tardes te peço
D’agora já estou cansado
Sinto falta do passado. 
Enoja-me este progresso

Busca-me ó criança que eu era. 
Busca-me e vamos brincar, 
De ciranda cirandinha. 
Busca-me, ah, quem me dera. 
Eu quero pra lá voltar. 

5º LUGAR

JORGE MENDES GUERRA BRASIL

CATEGORIA ADULTO OUTRAS CIDADES

“Se tivessem informado a cidade do autor, seria mais interessante. Eu gostaria de ver o nome de Pitangui na coletânea”, comentou o autor. 

Histórico

Jorge Mendes Guerra Brasil nasceu em Pitangui, em dois de outubro de 1945. Filho do jornaleiro Afonso Mendes e Maria Firma Mendes. 

O escritor conta um fato curioso sobre o pai. Diz que ele não teve uma profissão definida. Fazia de tudo um pouco. Na época em que viveu, pessoas como ele eram chamados de “jornaleiros”. Jorge acredita que tenha a ver com a palavra “jornadas”, pois a pessoa tinha diferentes jornadas de trabalho ao longo da vida. Assim como Jorge, o pai dele era autodidata. Tinha apenas o 2º ano de grupo escolar, mas, segundo o filho, tinha grande conhecimento, principalmente em política. 

Dona Maria Firma Mendes nasceu em Quartel Geral que, emancipada, tornou-se a hoje Dores do Indaiá. Conheceu Afonso em Pitangui. Casou-se com ele em 1942. Hoje, aos 93 anos, dona “Mariquinha”, como é conhecida, acompanha o trabalho literário do filho Jorge Mendes, comparecendo, orgulhosa, a todos os lançamentos de livros.

Jorge Mendes começou a criar versos e poesias na adolescência. Ele conta que se destacava na escola com suas produções. Mesmo depois de casado (em 1972), sonhava em publicar um livro. Sua primeira obra foi impressa em 2004, quanto tinha 58 anos. Hoje, aos 66, já está com quatro publicações e outra em fase de produção, com previsão de lançamento para o início de 2012. 

Outras premiações

O poeta “seu” Jorge já recebeu diversas premiações. 

• Em nove de junho de 2004, foi premiado pela prefeitura de Pitangui com medalha de talento pitanguiense em comemoração ao aniversário do município. 

• Em maio de 2007, foi homenageado pela Escola Municipal Lima Guimarães. A placa que recebeu diz: “o verdadeiro valor é daquele que cria, que mantém, que constrói, não apenas um dia, mas por toda vida”.

• Em dezembro de 2007, foi agraciado com medalha de Honra ao Mérito da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Pitangui. A placa que recebeu traz os seguintes dizeres: “sorte nossa ter um escritor assim”. 

• Em 9 de outubro de 2009, recebeu medalha do Mérito Educacional e Cultural “Professor José Morato”, oferecido pela Câmara Municipal de Pitangui

• Em 6 de abril de 2009, recebeu Voto de Louvor na Câmara Municipal de Pitangui pelo lançamento de seu livro Minhas Gerais, com medalha pelo “brilhante trabalho literário que enaltece a cultura de nosso município”, assinada pelo então presidente da Casa, Alexandre Maciel de Barros. 

• Em 25 de novembro de 2011, recebeu medalha, certificado e uma coletânea com todos os poemas (inclusive um seu) premiados no 27º Concurso de Poesias da Biblioteca Municipal João XXIII, de Mogi Guaçu (SP) na categoria Outras Cidades. 

Bibliografia



Pitangui em trovas, versos e prosas – Primeira obra do autor, publicada em 2004. Como diz o próprio título, reúne trovas, versos e prosas relacionadas a Pitangui. Uma delas, publicadas na página 64, é o Hino a Pitangui, composto (e tocado em vários eventos na cidade) por Jorge Mendes. “Posso ir para terras distantes e talvez não voltar mais aqui. Não me esquecerei um instante, ó minha pequena Pitangui, de suas serras altaneiras, dos rios onde sempre pesquei, de suas ladeiras famosas, jamais me esquecerei”, diz a letra. 



Percorrendo Pitangui – Lançado em 2005. Composto por poesias carregadas de informações sobre as tradições de Pitangui, os bandeirantes, formação da Vila e seus pontos hoje turísticos. Traz fotografias antigas do município e alguns “causos” do povo pitanguiense.



Minhas rimas, minha terra, nossas histórias – De 2007, é, segundo o autor, continuidade da obra Percorrendo Pitangui. Recheado com informações sobre figuras importantes que fizeram história em Pitangui, como Maria Tangará e Joaquina do Pompéu. Traz informações sobre pontos turísticos e outros lugares importantes da cidade. A poesia, típica do autor, tem presença marcante no livro. Ditos populares (todos verdadeiros) arrancam gargalhadas durante a leitura, como por exemplo: “sogra é como mandioca. A boa tá debaixo da terra”, “não mexa com a mulher do próximo. Principalmente se o próximo estiver muito próximo” e “duro é quando filho deixa de mamar na mãe e passa a mamar no pai”.



Minhas Gerais – De 2009, a obra reúne contos, poemas e poesias selecionados pelo autor. O conteúdo do texto varia entre histórias reais e ficções que divertem os leitores. É dividido em três partes: cômicos, filosóficos/espirituais e poéticos. Cada um deles tem um pouco de verdade, mas a criatividade do autor ganha espaço em muitos deles. Entre todas as outra obras do autor, esta não fica limitada a Pitangui. Trata de assuntos que dizem respeito a todo o estado de Minas Gerais, como o fim das “maria-fumaças” e do leiteiro que vendia seu produto na lata, de porta em porta. A Revolução de 1932, da qual o pai de Jorge participou, também é mencionada no livro.

Contatos

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