Artigo de opinião publicado na edição 457 do jornal "O Independente", de julho e agosto de 2024.
Arquivo do blog
Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens
24 de set. de 2024
11 de jan. de 2019
Crise no jornalismo não é culpa do leitor
![]() |
| Jornalistas apuram informações sobre pedofilia na igreja em cena do filme 'Spotlight: segredos revelados' (Sony Pictures/Divulgação) |
O filme mostra repórteres do jornal "The Boston Globe" investigando casos de abuso sexual e pedofilia praticados e ocultados por padres, bispos e cardeais católicos. A investigação recebeu o prêmio "Pulitzer de Serviço Público" em 2003. O filme mostra quão difícil foi fazê-la.
Todo jornalista quer trabalhar em algo grande assim. Hoje, com o a internet, é muito mais fácil investigar. Só que a imensa maioria dos grandes veículos não tem dado essas missões aos seus profissionais. Em vez disso, os colocam para atualizar posts nas mídias sociais - o que até criança faz.
Em meio a tanto Facebook, Twitter, Instagram, Periscope, Buzzfeed, coberturas em tempo real etc., onde está o espaço para a apuração demorada? Fazer uma reportagem que concorra ao Pulitzer não leva o tempo de um tweet. São meses ou talvez até anos de dedicação. Não é instantâneo.
É triste ouvir de chefes de grandes redações (já ouvi de muitos) que os leitores hoje em dia só querem a instantaneidade. Que não se debruçam para ler uma reportagem produzida às custas de muito suor, mas compartilham aos montes as matérias sobre celebridades atravessando a rua. Mas todos são assim? Então hoje só gente burra lê?
É óbvio que os grandes veículos precisam ter quem produza merda em escala industrial, já que existe alta demanda por merda. Mas deveriam também apostar na capacidade dos jornalistas de verdade, que pensam além da famigerada busca por cliques, agindo como se fossem robôs.
A nova geração de leitores não pode ser vista apenas como um bando de idiotas que não se importam se o que leem é fato ou fake. Se não houver o mínimo de bom senso nisso, onde a nova geração será, de fato, educada pela mídia? É preciso investir em conteúdo qualificado.
Pelo fato de os profissionais de comunicação terem hoje várias vertentes de atuação nos meios digitais (e muitos pagam bem, inclusive), as redações jornalísticas têm visto seus melhores funcionários irem embora por livre e espontânea vontade, cansados de exercer funções diferentes daquelas para as quais estudaram por anos. Não fazem por onde mantê-los na linha de combate jornalística.
Ao mesmo tempo em que perdem seus melhores jornalistas para o encanto do marketing digital, as grandes empresas empurram os que ficam (e que possuem rasa capacidade crítica) para a esteira de produção de merda em escala industrial e assim, quem sabe, um dia, vencer a concorrência na base do clique.
A equipe investigativa do "The Boston Globe" era formada por quatro repórteres que podiam ficar por um ano ou mais trabalhando em uma única pauta. Por causa disso, a matéria levou o "Pulitzer". Adaptada para as telonas, ganhou dois Oscars (melhor filme e melhor roteiro original).
O sucesso da reportagem é um tapa nas caras dos diretores de redações que acham que copiar, colar e publicar imediatamente é fazer jornalismo. Não é, nunca foi e nunca será. Nossa profissão é muito mais do que isso (como mostra "Spotlight") e precisa ser valorizada por quem a utiliza e, principalmente, por quem a faz.
22 de mar. de 2018
14 de dez. de 2011
Canteiro ou pasto?
![]() |
| Bodes saboreiam vegetação em canteiro na Avenida Antero Rocha (foto: Ricardo Welbert. 13/12/11) |
Na Avenida Antero Rocha, em Pitangui, os canteiros centrais estão sendo uma verdadeira atração turística para bodes. Em plena manhã de terça-feira, os animais se alimentam calmamente. Na principal via de acesso aos bairros Gameleira, Jatobá e Padre Libério, representam risco de acidentes de trânsito.
A secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano argumenta que enviar equipes para cortar a vegetação no período chuvoso é perder tempo, pois logo a grama cresce novamente. Se depender dos bodes, o mato continua como está. Eles gostam de bancar os "jardineiros" do lugar.
O proprietário dos animais não foi encontrado por este blogueiro nas imediações. Falta saber se ele tem alguma explicação a dar sobre os animais soltos em via pública. O que, por lei, não é permitido. A demora da prefeitura em atualizar o Código de Posturas do município, que é bastante antigo, impossibilita a cobrança de multas a quem deixa bichos passeando em via pública. Sabendo desta brecha na fiscalização, os donos abrem as porteiras para que a criação busque nos canteiros e praças a refeição de cada dia.
18 de out. de 2011
Tragédia maquiada
Até a noite desta terça-feira (18), era crítico o estado de saúde do adolescente de 16 anos que caiu com a cabine de uma roda-gigante no sábado (15), em um parque de diversões em Várzea Grande (MT). Segundo os médicos do pronto-socorro de Várzea Grande, o garoto, que até então estava em coma induzido e respirava por aparelhos, não havia reagido aos medicamentos e seria submetido a uma nova bateria de exames. O outro jovem envolvido no acidente, Fabrício Ferreira de Oliveira, 21, continuava em coma induzido na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em estado considerado gravíssimo.
O acidente aconteceu quando a cabine em que eles estavam se desprendeu da estrutura principal e caiu de uma altura de cerca de cinco metros. Segundo o Corpo de Bombeiros, o parque não tinha alvará de segurança (emitido pelos bombeiros) nem de funcionamento (autorizado pela prefeitura). Ou seja: não há como reclamar apenas do parque. Afinal, o negócio estava funcionando sem dois alvarás obrigatórios e ninguém fez nada.
Este não foi o primeiro e certamente não será o último acidente em parques pelo Brasil, porque seus donos não se preocupam com a segurança da clientela. Querem apenas ganhar dinheiro nos lugares por onde passam.
A culpa por estes acidentes é das autoridades que não fiscalizam da maneira como deviam. E também dos pais que deixam os filhos entrarem em brinquedos visivelmente deteriorados. Depois que a fatalidade acontece, a Justiça é acionada e o fato vira notícia. O tempo passa, a família continua chorando pela perda e o parque vai embora fazer vítimas em outros lugares.
13 de out. de 2011
A Folha de São Paulo de terça-feira (11) trouxe uma reportagem sobre compra de equipamentos superfaturados para um hospital. Emenda parlamentar de R$ 2,2 milhões financiou a compra de equipamentos superfaturados em até 500% para um hospital da cidade de Registro, a mais pobre do Estado de São Paulo. A indicação dos recursos foi feita pela ex-deputada estadual Patrícia Lima (do PR). O governo do Estado liberou R$ 2.180.000 para o hospital São João no dia 25 de dezembro de 2010. A reportagem investigou e descobriu que o local em que funcionava a empresa que vendeu os aparelhos, em Goiânia, está abandonado. Os 17 produtos foram comprados por preços até seis vezes maiores que os de mercado.
O jornal fez um levantamento em três empresas revendedoras de equipamentos médicos. Em uma incubadora de transporte comprada, que no mercado custa R$ 25.100, o hospital pagou R$ 39.400. Em um foco cirúrgico de teto, que custa R$ 15.000, foram pagos R$ 43.300. Em uma mesa cirúrgica de R$ 25 mil, foram pagos muitos mais que o dobro: R$ 86.400. Agora, o mais impressionante: em um equipamento de vídeo para laparoscopia completo, que custa R$ 32.900, foram pagos R$ 198.500.
Um absurdo
A Corregedoria do Estado de São Paulo está investigando o caso e já identificou superfaturamento global de 125%. O Ministério Público foi acionado para abrir inquérito criminal.
Se isso aconteceu na cidade mais pobre de São Paulo, imagine o que acontece com as emendas no âmbito nacional. Ainda mais agora, com tanto investimento em estádios de futebol. O trabalhador é o único sacrificado.
Houve desvio, roubo de dinheiro público e apropriação indébita. E aí? A ex-deputada vai ser presa? Vai ser obrigada a devolver o dinheiro? Infelizmente, quem paga a conta somos nós, eleitores e trabalhadores. Pagamos e não recebemos nada em troca.
Emenda parlamentar é uma imoralidade. Quem lida com gastos públicos é o poder Executivo. O poder Legislativo existe para criar leis e fiscalizar o Executivo. O Ministério Público precisa acabar com tanta corrupção a céu aberto. Estas emendas só servem para desmoralizar o parlamentar e ridicularizar o povo.
10 de out. de 2011
Irresponsabilidade que fere e mata
Todo fim de semana é assim: em busca de descanso, motoristas pegam as estradas para passarem o sábado e o domingo comendo e bebendo em qualquer lugar que não seja o escritório. Na volta para casa, muitos, ainda sob efeito do álcool, não se preocupam e arriscam as vidas da família, dos amigos e dos outros motoristas que mesmo dirigindo dentro da velocidade permitida podem ser vítimas da imprudência alheia.
Na segunda-feira, as notícias são tristes. Acidentes, acidentes, e mais acidentes com feridos e vítimas fatais. Pessoas que tinham sonhos, projetos e planos para o futuro e que tiveram a vida tirada em tragédias. Em muitos casos nem é preciso teste do bafômetro para constatar que a causa do acidente foi o excesso de manguaça.
A Polícia Rodoviária precisa reforçar a fiscalização, realizar o teste do bafômetro e impedir que motoristas alcoolizados coloquem a vida de inocentes em risco. Dirigir alcoolizado é a prova de que apenas ter passado pela autoescola e conquistado a carteira de habilitação não bastam. É preciso ter consciência, prudência e responsabilidade.
No Brasil, as pessoas atropelam, matam e não passam nem um mês na cadeia. Alegam que não foi por querer e são liberadas, indiciadas apenas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. As leis são falhas e, por isso, a responsabilidade no trânsito também é.
7 de out. de 2011
Entulhos em terrenos baldios: cabe ao município recolhê-los?
Em Pitangui, muita gente gosta de criticar lotes vagos cheios de lixo pela cidade. Uma amiga reclamou comigo sobre um vizinho dela que atravessa a rua para despejar entulho e lixo em um terreno em frente sua casa. Ela disse que ligou para a prefeitura várias vezes pedindo que a secretaria de Desenvolvimento Urbano enviasse alguém pra recolher o entulho.
Eu pergunto: quantos lotes vagos existem na cidade? São muitos. E a maioria deles está com entulhos porque pessoas irresponsáveis como o vizinho de minha amiga jogam lixo nesses locais. Será que é certo a prefeitura atender a uma solicitação, enviando pessoal para limpar um lote, sendo que na cidade inteira existem centenas de outros na mesma situação? Será que se a pessoa em questão ficasse sabendo que o morador de outra rua teve o pedido atendido enquanto o dela não foi, ficaria satisfeita?
A prefeitura não pode nem deve empregar pessoal para recolher entulho em lote vago porque não adianta. O problema não vai ser resolvido. Quando as pessoas que jogam entulho em lotes ficarem sabendo que basta jogarem que a prefeitura vai retirar, aí é que não vão parar mesmo com este mau hábito.
É preciso tentar pegar as pessoas pela educação, conscientizando e pedindo a estas pessoas que parem com este costume tão vergonhoso. A prefeitura está fazendo isso através de mensagens educativas veiculadas no rádio, no jornal impresso, na internet, em panfletos educativos e faixas espalhadas pela cidade.
Outra maneira de educar essas pessoas, que do meu ponto de vista seria a mais interessante, é através de multa. O cidadão tem um lote que fica ali, aberto. Pessoas jogam lixo e entulho no lugar. Então, é emitida uma multa para o proprietário. Quando doer no bolso, ele mandará cercar ou construir um muro. Porém, o atual código de posturas em vigência no município não permite fazer isso (pelo menos por enquanto, pois está sendo estudada uma mudança neste sentido).
Quem tem educação, exerce sua cidadania, respeita o espaço do outro e zela pelo bem estar de todos. Quem não tem educação, joga lixo em lotes vagos e acaba gerando uma série de problemas que afetam a todos, inclusive a ele que, cego pela ignorância, não percebe isso.
30 de set. de 2011
Idosos da Vila Vicentina recebem atenção especial
Em Pitangui, a equipe do Programa de Saúde da Família (PSF) Miguel Sabino (o posto de saúde do bairro São Francisco), ofereceu ontem (29) um atendimento especial às idosas moradoras da Vila Vicentina (um tipo de lar para mulheres desamparadas que funciona às custas de filantropia). Enfermeira, agentes de saúde, dentista e médico fizeram avaliação antropométrica, aferição de pressão arterial, peso, estatura, glicemia capilar, avaliação de prontuários, ajustes de medicação, orientações e identificação de urgências.
Depois, a equipe de saúde visitou as casas das idosas para conhecer de perto a realidade delas. Com doações de vários comerciantes da cidade, ofereceram lanche rico e diversificado. Por fim, teve roda de memória, momento no qual as senhoras resgataram lembranças da juventude, contaram casos de família e mostraram que a interação social na terceira idade faz muito bem não só para elas como também para aqueles que as escutam.
Estive na Vila Vicentina e pude presenciar todo o carinho oferecido pela equipe do PSF Miguel Sabino àquelas pessoas. A ideia partiu de uma funcionária e foi colocada em prática por toda a equipe que, aliás, está de parabéns.
Obs.: fiz algumas fotos dos trabalhos que, em breve, serão postadas aqui.
Obs.: fiz algumas fotos dos trabalhos que, em breve, serão postadas aqui.
28 de set. de 2011
Moto-boys na linha
Em Pitangui, começaram os procedimentos para regulamentação da profissão de moto-taxista. Hoje em dia, qualquer desempregado a fim de trabalhar pega sua moto e vai pra rua ser moto-taxista. Além de não oferecer a menor segurança aos usuários, prejudica o mercado daqueles que estão com documentação em dia e têm capacidade de prestar o serviço. A regulamentação tem uma série de exigências como, por exemplo, equipaentos de segurança (como aquelas varetas contra linha de papagaio, por exemplo). Haverá, então, uma seleção. Acredito que o usuário terá mais conforto e oportunidade de reclamar caso o serviço não lhe agrade. Vai, de fato, separar o joio do trigo.
26 de set. de 2011
O pré-sal precisa ficar aqui
O senador Cristovam Buarque (do PDT do Distrito Federal) apresentou uma proposta de criação de um fundo social com recursos da exploração do petróleo da camada pré-sal. Os recursos, segundo o senador, deveriam ser usados apenas em áreas transformadoras como a educação.
Cristovam Buarque considera que não há nada mais importante para nós hoje do que a saúde. Mas, ainda segundo ele, a saúde nos mantém vivos e não transforma o país. Ele afirma que é preciso ter dinheiro para a saúde, mas esse dinheiro não deve sair do petróleo. “As verbas para saúde precisam sair do orçamento”, disse.
Os recursos, estimados pelo senador em R$ 40 bilhões de reais em 2020, seriam divididos em três partes. Duas para a arrecadação básica e uma para a inovação tecnológica. A distribuição seria proporcional ao número de alunos na escola, ao desempenho dos alunos e à evolução desse desempenho.
No século XVIII, o Brasil viveu o auge da exploração do ouro. Produziu uma riqueza incalculável. A maior parte dela foi para a Coroa Portuguesa. Em Portugal, construíram-se igrejas majestosas e fabricaram-se jóias de ouro puro. Outra parte da extração foi para Inglaterra, onde foi investida em máquinas. O Brasil, com seu ouro, ajudou a financiar a revolução industrial inglesa. Recursos minerais, no entanto, são limitados. O ouro acabou, os estrangeiros foram embora e deixaram aqui um monte de buracos, uma população sofrida e a dívida externa.
Agora, temos que concordar com o senador Cristovam Buarque e exigir que os recursos do petróleo fiquem no Brasil e sejam investidos em inteligência, na educação, porque o petróleo, sem a inteligência e o conhecimento para transformá-lo em combustível, não passa de uma lama fedida. Não podemos deixar que a riqueza do petróleo vá para o exterior, muito menos para os bolsos dos governantes. Empregar os royaltes da exploração petrolífera em educação é garantir novas fontes de riqueza quando o petróleo acabar.
20 de set. de 2011
Impostos infernais
Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos mostra que o número de brasileiros que admitem comprar produtos falsificados aumentou no último ano. Até quem ganha mais passou a gastar com pirataria.
Também, pudera. O Brasil é um dos países que mais cobra impostos no mundo. São taxas que vêm embutidas em coisas que você nem imagina.
Numa mercadoria original comprada em uma loja de médio porte, no valor de R$ 100, R$ 28 são impostos que devem ser aplicados pelo governo em educação, saúde, habitação e segurança. R$ 15,00 o comerciante usa para pagar outros tributos, como o imposto de renda.
De um produto que custou R$ 100,00 na loja, R$ 43 são impostos. Do restante, o comerciante ainda precisa tirar para pagar os salários dos empregados e despesas como água, luz, telefone e aluguel.
O consumidor, irritado com o alto preço, compra o mesmo tipo de produto nos camelôs. Porém, muito mais barato. Com isso, a loja de produtos originais deixa de vender, o comerciante não vê lucros e acaba entrando para as estatísticas de empresas que fecham antes de completarem 4 anos.
Muita gente pensa que quem coloca os preços altos nos produtos é a indústria, ou seja, os fabricantes dos produtos. Na verdade, quem deixa os preços lá em cima é o governo.
A maior fatia de tudo que você paga vai para os cofres públicos. Aqueles mesmos cofres onde políticos safados, corruptos, metem a mão, tiram dinheiro e metem nos bolsos. Quando os bolsos ficam cheios, apelam para as cuecas e meias.
No século XVIII, no período de extração do Ouro, a coroa portuguesa cobrava um imposto chamado Quinto, que era 20% da produção. Se você tinha uma mina, 20% de toda sua produção iam para os cofres da coroa. A cobrança, que na época era considerada abusiva, deu origem à expressão "quinto dos infernos", usada até hoje.
Porém, o quinto era uma maravilha. Hoje, a gente paga de imposto de renda, 27% e meio (7/2 a mais que o quinto). Você pega os impostos do arroz e feijão, dá quase 40% (o dobro do quinto).
Porém, hoje não tem revolta. Todo mundo paga sem reclamar.
E o que é pior: chega o período eleitoral, muita gente aceita dinheiro ou favores em troca de votos e ajuda a eleger pessoas que antes mesmo de serem eleitas já atuam de maneira criminosa.
Eleitos, eles aumentam os juros, criam novos impostos, aumentam os próprios salários (que nós pagamos) e logo recebem de volta todo o dinheiro investido na compra de votos.
18 de set. de 2011
Nova Serrana recebe R$ 5 mi. Pitangui fica a ver navios
No dia dois de setembro, o jornal Diário, de Nova Serrana, trouxe a manchete: "Cinco milhões do Novo Somma para Nova Serrana".
Novo Somma é um programa do Governo de Minas em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) que oferta empréstimos às prefeituras com três anos de carência e 15 para pagar, com juros de 4% ao ano. Porém, as prefeituras precisam da autorização dos vereadores para pegar o empréstimo. Em Pitangui, numa mais que descarada jogada política, visando benefício de um grupo - que não foi a população -, a Câmara não autorizou a prefeitura a pegar o empréstimo.
O Banco Central e o Tesouro Nacional haviam dado sinal verde para o município adquirir o benefício. Mas, por sete votos a dois, isso não foi possível. Nova Serrana, Pará de Minas e Formiga foram algumas das cidades vizinhas que pegaram o empréstimo. Será que o que está sendo bom para eles seria ruim para nós? Vejo tremendas inveja e falta de interesse em admitir que a atual gestão colocou a cidade na lista de municipios com o nome limpo na praça.
Em entrevista, o governador Antônio Anastasia (PSDB) falou sobre o Novo Somma. Disse que é um recurso muito importante porque é um financiamento com valores muito baixos a favor dos municípios. "Bem, esse programa Novo Somma, em primeiro lugar, é um programa muito importante porque significa um financiamento com recursos do BDMG a favor dos municípios mineiros, especialmente os menores e médios, destinados à infraestrutura, à compra de equipamentos, à melhoria da questão ambiental. É um recurso muito importante. Primeiro, porque é um financiamento com valores muito baixos, a favor dos municípios. Mas o mais importante é que ele injeta recursos nos tesouros municipais permitindo aos municípios realizar as suas obras. Nós sabemos que a esfera de governo, também o Estado, necessita muitas vezes de aportes externos para fazer o chamado investimento, porque o grosso dos recursos públicos fica no custeio e no pessoal. Então, investimentos acabam sendo prejudicados. Por isso mesmo, essa ação do banco é muito positiva. Vejam que liberamos quase R$ 70 milhões para cerca 38 municípios, são recursos expressivos, que vão permitir a esses municípios, especialmente os menores, realizar obras importantes nas suas cidades", disse o governador.
Será que Pitangui não está precisando destas obras que o governador afirma serem importantes?
Anastasia também disse que é preciso melhorar a educação, a segurança e a saúde, mas é muito importante fazer obras físicas. "É muito importante que o Estado tenha também os seus municípios desenvolvidos. Minas Gerais nunca será inteiramente desenvolvida se os seus 853 municípios, todos eles, também não tenham atingido um bom grau de desenvolvimento e de inclusão produtiva. Por isso mesmo, todo o tipo de investimento nos municípios, como fizemos ao longo dos últimos anos, com asfalto, com telefonia, com maquinário, é fundamental ser revertido a favor do município porque ele, ao final, na soma de tudo, significa também o desenvolvimento do Estado como um todo".
Exatamente por causa disso que mencionei, este olhar para o próprio umbigo ao invés de fitar o futuro da cidade, prejudica Pitangui nesta lista de municípios na busca constante pelo desenvolvimento. A população precisa tomar conhecimento destes fatos, saber o que tem sido feito por aquelas pessoas eleitas para trabalhar pela população, pela pólis, pelo todo. Acompanhar as reuniões e cobrar informações a respeito do que é aprovado, do que é votado e do que permanece engavetado para ter uma noção de quanto seu voto valeu a pena ou não e se preparar para o próximo momento de se posicionar na cabine de votação e decidir o futuro de sua cidade.
16 de set. de 2011
Exemplo que vem de Arcos
Na cidade de Arcos, MG, a população tem demonstrado interesse em participar das políticas públicas do município. Lá, isso acontece com muita cobrança e pressão.
Vereadores queriam aumentar os próprios salários. Indignados e usando megafones, manifestantes questionaram a cada legislador que entrava na Câmara a moralidade dos aumentos.
Um comerciante deu início a um abaixo assinado contra a resolução que aumentaria de nove para 13 o número de vereadores. Chegaram a montar um palanque em frente à Câmara, com o nome de Tribuna Livre, onde as opiniões foram manifestadas.
Com a casa cheia, antes de começarem a discutir a revogação do aumento, os “nobres” edis passaram cerca de uma hora e meia apreciando matérias menos importantes como, por exemplo, a concessão de títulos de cidadão honorário - o que chega a ser uma piada porque as pessoas que estavam sendo agraciadas com o título certamente não se encontravam ao lado da população no protesto contra os aumentos. E o público ficou chateado com o enchimento de linguiça.
Quando a revogação começou a ser apreciada, cada vereador explicou sua posição sobre o assunto. Um deles disse que votaria contra a revogação, mas que levou em consideração a vontade do povo.
É engraçado. Quem não é vereador e quer aumento precisa ter uma longa conversa com o patrão, implorar para receber o benefício. No caso deles, não. Colocam em votação os próprios aumentos e ainda tem a pachorra de dizer: "ah, eu queria votar pelo aumento do meu pagamento, mas já que o povo está pedindo para eu não fazer isso, não farei”. É muita cara de pau.
Arcos tem 36 mil habitantes. Pitangui tem, segundo o IBGE, 25.311. A quantidade de vereadores de lá e a mesma daqui: nove. E o barco tem sido tocado nas duas cidades, sem necessidade de aumento de cargos nem de salários.
É importante que a população de Pitangui, assim como a de Arcos, esteja atenta, compareça às reuniões e acompanhe tudo o que for votado porque os patrões deles somos nós - eles são pagos com o nosso dinheiro. Você daria aumento de salário pra alguém que não merecesse ou se não fosse preciso?
13 de set. de 2011
Universalização da burrice
Ontem à noite, milhões de brasileiros estavam ligados na transmissão do Miss Universo. Um evento chato, sem graça, que não traz outra coisa a não ser uma seleção de pessoas escolhidas sei lá por quem, com quais critérios, para disputar o título de mais bela do mundo, sendo que nenhuma delas é, de fato, a mais bela do mundo.
Pra mim, não passa de mais um blá, blá, blá que a televisão repercurte com toda pompa e circunstância. Não acrescenta nada para sua vida. Talvez se você, que assitiu ao Miss Universo, estivesse assistindo a TV Escola, a TV Cultura, o Canal Futura, ou mesmo a TV Câmara ou a TV Senado, entre outros canais mais instrutivos, teria agora um pouco mais de conhecimento em sua cachola.
Quando um adulto perde horas e horas na frente da televisão assistindo a uma porcaria dessas, por livre e espontânea vontade, é possível ter uma ideia do quão instruída é a pessoa. Agora, o perigo mais são pais que deixam as crianças assistirem ao Miss Universo, ao Big Brother, a Fazenda e outras porcarias ao invés de incentivá-los a estudar.
A educação move o mundo. E o Brasil é um país onde o investimento em educação é baixíssimo. Nos últimos anos, muita coisa tem melhorado - a situação já esteve pior.
Quando a pessoa estuda, entre outras coisas, a Constituição Brasileira, passa a saber sobre seus direitos e deveres e começa a enxergar o quanto é passado para trás pelos detentores do poder. Quem estuda e lê cria senso crítico, aprende a questionar as coisas e passa a discordar daquilo que lhe é imposto.
Falando em imposto, quem estuda sabe que o Brasil é um dos países com mais impostos no mundo. E porque não acontece nada? Porque a maioria esmagadora da população não sabe o que são os impostos, acha isso tudo muito técnico, muito chato, numa mistura de falta de capacidade de entender com falta de vontade de aprender.
12 de set. de 2011
Enem e o 11 de setembro
O Enem de 2010 mostra melhora na pontuação dos estudantes em relação a 2009, em todas as disciplinas.
Acredito que esta mudança ocorreu porque os jovens foram estimulados por aqueles que fizeram a prova nos anos anteriores, tiraram boas notas e ganharam bolsas de estudos.
Eu sou um destes. Participei do exame em 2008, recebi uma pontuação considerável e hoje estudo de graça (de graça, não, porque o governo paga) em uma faculdade em Divinópolis.
Hoje, muitos amigos que estão se preparando para o Enem me procuram para saber como é a prova e eu digo que ela tem muito texto, exige concentração para leitura. Então, é preciso ter o hábito de ler. Livros, jornais e revistas de notícias. Isso faz com que você esteja por dentro do que está acontecendo no mundo e crie capacidade de raciocinar. O Enem é a prova de que a maioria das pessoas quer estudar e só precisa de uma oportunidade.
Bem,
Domingo foi 11 de setembro. Já se passaram 10 anos deste aquele dia em que eu, então com 11 anos, estava em casa assistindo ao desenho animado quando, de repente, todos os canais começaram a passar o mesmo filme. Dois dos mais altos edifícios do mundo foram alvos de ataques-suicidas e acabaram desmoronando.
Neste fim de semana, todos os jornais, emissoras de rádio e TV estavam de plantão em Nova Iorque, supostamente com a ideia de mostrar as homenagens aos mortos. Mas não era só isso. Estavam todos esperando outro episódio trágico como algum carro-bomba ou qualquer outra coisa do tipo. É a espetacularização da tragédia. Felizmente, não aconteceu nada mais sério, além das homenagens programadas em memória às vítimas.
Aliás, os ataques do 11 de setembro de 2001 causaram mortes não apenas entre americanos. A guerra que veio depois também fez suas vítimas. Soldados morreram na guerra no Iraque, país invadido porque o então presidente dos Estados Unidos, Jorge W. Bush, achou que aquele era um bom momento para invadir o território inimigo. Vítimas também foram registradas no Afeganistão, outro pais invadido pelas tropas americanas por dar cobertura a Osama Bin Laden.
Nestes 10 anos do ataque ao Word Trade Center, continuamos vendo a ignorância, o fanatismo religioso e a ambição destruírem o único fator que nos diferencia dos animais: a racionalidade.
9 de set. de 2011
Medida certa
Em Pitangui, cada vez mais pessoas estão começando a correr atrás da boa saúde pelo método mais eficaz: a atividade física. Passando pela BR-352, no trecho que leva ao parque de exposições, observo que a quantidade de pessoas caminhando aumenta muito no início da manhã e no fim da tarde.
O local virou "caminhódromo". Apesar de existirem calçadas nos dois lados da pista, uns e outros caminham pelo acostamento - o que acaba se tornando um perigo.
Ao mesmo tempo em que devem receber nossos parabéns por estarem preocupados em manter a boa forma, merecem um puxão de orelha aqueles que pensam que estrada é lugar de pedestre.
Podem ser atropelados ou atingidos por alguma peça que eventualmente venha a se soltar de veículos. Sem falar na poluição que sai dos escapamentos das motos, carros, caminhões e carretas - fumaça que faz um mal danado à saúde.
Não adianta parar de caminhar na rodovia e passar a queimar calorias no centro da cidade, porque a situação vai ser praticamente a mesma. O centro está cada vez mais cheio, mais tumultuado e cada vez mais pequeno com a crescente quantidade de veículos que acaba gerando uma série de outras mazelas como o stress, a falta de educação de motoristas e de pedestres que atravessam sem olhar para os lados, quando não caminham no meio da rua.
Existem outros lugares bem mais interessantes para caminhar em Pitangui. Locais cheios de verde, com ar puro e sem perigo como, por exemplo, o trecho da Estrada Real, no bairro Serra, a subida para a Cruz do Monte (que já tem calçamento) e a estrada que liga o bairro São Francisco ao JK, passando pela mata da pedreira.
Aproveite e chame um parente ou amigo para passear por esses lugares. Vocês verão que a cidade tem cenários maravilhosos por onde podem manter a saúde em dia, passear e se divertir, vivendo bons momentos. Fica a dica.
Aproveite e chame um parente ou amigo para passear por esses lugares. Vocês verão que a cidade tem cenários maravilhosos por onde podem manter a saúde em dia, passear e se divertir, vivendo bons momentos. Fica a dica.
6 de set. de 2011
É preciso cortar o mal pela raiz
Em Lavras, no Sul de Minas, câmeras de segurança nas ruas gravaram imagens de extrema violência. No vídeo, é possível ver dois jovens correndo atrás de um rapaz no meio da avenida. Um deles alcança o jovem e lhe dá uma voadora. Os três parecem discutir bastante. De repente, amigos do rapaz perseguido chegam para ajudá-lo e ele resolve revidar a agressão que sofreu. É aí que a confusão começa: oito agressores cercam o jovem de 23 anos e o agridem com chutes, socos e pontapés.
Um deles chuta e pisa na vítima várias vezes. A polícia chega ao local. O agressor sai calmamente, como se nada tivesse acontecido, e depois vira a esquina. Os outros são imobilizados pelos militares. A vítima, que sofreu várias escoriações, fica deitada no chão, aguardando o socorro. De repente, o agressor aparece acompanhado de uma moça, caminhando.
Um deles chuta e pisa na vítima várias vezes. A polícia chega ao local. O agressor sai calmamente, como se nada tivesse acontecido, e depois vira a esquina. Os outros são imobilizados pelos militares. A vítima, que sofreu várias escoriações, fica deitada no chão, aguardando o socorro. De repente, o agressor aparece acompanhado de uma moça, caminhando.
Para azar dele, o policial que estava na vigilância das câmeras acionou os colegas pelo rádio e ele também acabou sendo enquadrado. Todos foram encaminhados para a delegacia de Campo Belo. A vítima foi levada para o pronto-socorro em estado grave.
Selvageria também em São Paulo, skinheads e punks marcaram uma briga pela internet. Duzentas pessoas atenderam ao chamado. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas. Os grupos rivais se encontraram na rua. Um homem de 25 anos foi esfaqueado. Das sacadas dos prédios, vizinhos assistiram ao espetáculo. Um show de violência, aparentemente inexplicável.
É certo que falta, para estes jovens desmiolados, a educação. Drogados ou não, são crianças e adolescentes que não fazem outra coisa a não ser passar horas e horas na internet, fazendo sabe-se-lá-o-quê, acessando sabe-se-lá quais conteúdos.
Dois exemplos trágicos, em duas grandes cidades. Mas o interior não está livre disso. Cada vez mais adolescentes deixam de ir à escola para ficar fazendo novos "amigos" na internet. O relacionamento de jovens pelo computador já esteve mais no centro das discussões do que está hoje.
Respeito e bom senso devem ser ensinados em casa e na escola. Se os pais não monitoram a vida escolar dos filhos, não exigem boas notas, não incentivam a aprendizagem e deixam crianças e adolescentes fazerem o que quizerem, de modo que já se sintam donos dos próprios narizes, a tendência é que tenhamos cada vez mais jovens sozinhos e, por isso, violentos.
Cristovam Burque, o candidato a presidente que apresentou a educação como prioridade, teve dois e meio por cento de votos. Verdade é que todo mundo precisa de uma salvação na vida. E essa salvação tem nome: educação.
5 de set. de 2011
Pernilongos e política
Nesta segunda-feira (5), voltei ao estúdio da rádio Ativa FM 107.3, em Pitangui, para a estreia do Ponto de vista, minha coluna diária, às 12h15. Estarei na programação da emissora lançando uma análise crítica sobre os principais fatos e acontecimentos da cidade, do estado, do país e do mundo.
Leia o texto da primeira edição:
Leia o texto da primeira edição:
31 de ago. de 2011
Telefonia celular faz mal?
Em Belo Horizonte, vereadores discutem a saúde de quem mora perto de antenas de telefonia celular. Embora a Organização Mundial de Saúde não tenha uma conclusão sobre os efeitos da radiação emitida pelas torres, alguns médicos garantem que o sinal é capaz de provocar câncer.
É inegável que o aspecto visual fica feio, principalmente nas pequenas cidades do interior. Mas não dá para ser contra a telefonia nem contra suas antenas. Em Pitangui, temos hoje cinco antenas. Lembro que quando a Oi instalou a primeira, muita gente reclamou.
Algumas destas grandes corporações vez ou outra promovem palestras, para as quais convidam médicos para explicar se há ou não riscos para a saúde. Em Belo Horizonte, o Dr. Renato Sabatini diz que antenas de telefonia celular não provocam câncer porque estão instaladas a distâncias de 20, 30 metros acima das pessoas. Segundo ele, o campo magnético para quem está no chão é tão baixo que não faz mal à saúde .
As operadoras precisam respeitar um limite adotado por pelo menos 80 países, instalando os transmissores e receptores de sinal a uma altura 50 vezes maior do que aquela que poderia ser prejudicial. Mas não dizem que altura prejudicial seria essa.
Antenas não representam risco eminente, mas há sempre um risco a ser evitado (como no caso das usinas de energia nuclear).
Diante do impasse de informações (se faz mal ou se não faz), o Ministério da Saúde, do Governo Federal, deveria, no mínimo, divulgar informações (verdadeiras) a respeito. Mas será que vale a pena, diante da tamanha arrecadação financeira oriunda da telefonia celular?
Assinar:
Postagens (Atom)




