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12 de out. de 2022

Charge: Bolsonaro garante que não há fome no Brasil

A inflação dos alimentos segue empurrando milhões de brasileiros para a fome. Produtos muito presentes no dia a dia têm registrado altas significativas. O preço da cebola subiu 127%; o do café, 37%; e o da farinha de trigo, 35%. Quem não se afeta com isso é Bolsonaro, que recentemente disse que "fome de verdade não tem no Brasil" e que por aqui não se vê ninguém pedindo pão na padaria. 




20 de mai. de 2019

Exportações de carne de peru brasileira para a Europa caem 55,6%

As exportações brasileiras de carne de peru foram o destaque negativo entre as principais proteínas de origem animal produzidas no país nos quatro primeiros meses de 2019. 



O "Conexão Europa" é um programete radiofônico produzido em Portugal pelo jornalista Ricardo Welbert para emissoras brasileiras.

10 de fev. de 2014

Presença de ambulantes nas ruas divide opiniões

Enquanto alguns criticam ocupação de calçadas, outros apoiam vendedores 

Ricardo Welbert 

Durante o horário comercial, as calçadas da região central de Divinópolis ficam cheias de gente. Tanto movimento atrai a atenção de ambulantes – vendedores que atuam informalmente e oferecem vários tipos de produtos, dentre alimentos, cosméticos, utilidades, artesanatos, discos a até títulos de capitalização. Enquanto alguns pedestres criticam a presença deles, outros dão preferência para seus produtos e irritam proprietários de estabelecimentos que pagam taxas e impostos para funcionar.

Na avenida 1º de Junho, trabalha o ambulante Ailton César, de 34 anos. Natural de Belo Horizonte, há anos ele percorre municípios mineiros com sua banca de descascadores de verduras. "É um negócio que não é registrado, mas é de onde eu tiro o meu sustento. O povo gosta dos meus produtos", conta. 

Ricardo Welbert
Vendedor empurra carrinho em ponto disputado na 1º de Junho
Bem perto dali, um vendedor de antenas automotivas [que pediu para não ter o nome divulgado, por medo de ser identificado pela fiscalização] conta apenas que veio de Goiânia (GO). Empurrando um carrinho com seus produtos, ele se posiciona debaixo de árvore em frente a uma agência bancária cheia de clientes na porta. Vale tudo para espantar o calor. 

Na rua Goiás, a dona de casa Natália Silva, de 43 anos, segura um tabuleiro com vários tipos de guloseimas. A mais famosa, ela vende no grito: "Aô, bombom! Aô, bombom!" 

Enquanto espera por um ônibus, a lavadeira Maria das Graças, 55, conta que prefere os produtos oferecidos pelos ambulantes. "Eles costumam ter muita coisa interessante, com preços muito bons. Além disso, a gente sabe que é um trabalho honesto, que eles fazem para sustentar a família". 

"Honesto, não", questiona Reinaldo Chagas, 30, dono de uma lanchonete. "A gente paga um monte de taxas para funcionar e sofre fiscalização pesada, enquanto esse pessoal sem alvará vende as mesmas coisas que a gente, só que sem procedência e a preços muito baixos", critica.

A opinião do comerciante é reforçada pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Rogério Aquino. "Esses aventureiros, vindos de outras praças, dão prejuízo ao nosso comércio quando oferecem produtos de procedência duvidosa e não pagam impostos", diz. 

Fiscalização 

A diretora de Meio Ambiente da Prefeitura, Sílvia Ribeiro, diz que a fiscalização contra o comércio ilegal ocorre semanalmente. Ela explica que nem todos os ambulantes são irregulares. "Aqueles que possuem a licença são autorizados a circular com seus produtos, mas não a montar um ponto fixo na via", explica.

Quando os fiscais constatam irregularidades praticadas pelos comerciantes, apreendem os materiais e lavram uma multa cujo valor varia de R$ 226,80 a R$ 567. O ambulante tem prazo de 60 dias para retirar a mercadoria, mediante o pagamento do valor. Em caso de reincidência, o custo dobra. Quando produtos alimentícios são apreendidos, após 24 horas um laudo é emitido pela Vigilância Sanitária e o produto é descartado. 

Mobilidade 

De acordo com o presidente da Associação de Deficiente do Oeste de Minas (Adefom), Reginaldo Couto, a ocupação de calçadas por vendedores ambulantes prejudica a acessibilidade. "A presença de bancas de produtos, assim como de caixas descartadas por lojas, dificulta a vida de quem usa muletas ou cadeira de rodas. Ressalto que os passeios são um bem público elaborado para servir a todos", diz.

Ricardo Welbert
Geraldo Ferreira usa muletas, mas não se incomoda
com a presença de ambulantes nas calçadas
O aposentado Geraldo Antônio Ferreira, 53, teve paralisia infantil. Para caminhar, usa duas bengalas. Apesar disso, afirma que nunca teve dificuldade para se locomover nas calçadas ocupadas por ambulantes. "Penso que não dá pra usar a condição física para questionar os outros. Eles estão trabalhando, fazendo o serviço deles. Se eu quiser passar e eles estiverem no caminho, dou um jeito de desviar".

Ricardo Welbert
Sérgio Silva é cadeirante e diz que o que mais prejudica
sua acessibilidade são os buracos nas calçadas
Já o autônomo Sérgio Luiz Serra e Silva, de 33 anos, se desloca em uma cadeira de rodas. "Se tiver alguém me ajudando, empurrando a cadeira, não vejo problema. Aliás, as calçadas em si, cheias de buracos, oferecem mais riscos do que as mesas dos ambulantes", finaliza.

Reportagem originalmente publicada no jornal "Agora" de 7 de fevereiro de 2013.

7 de fev. de 2014

Salões de beleza viram “febre” em Divinópolis


Prefeitura contabiliza 255 estabelecimentos; programa favorece abertura de negócios

Ricardo Welbert

A cada mês surgem no Brasil sete mil novos negócios na área de beleza, segundo um levantamento do Sebrae. Em fevereiro de 2012, havia quase 185 mil salões no país. Um ano depois, o número saltou para 265 mil, um crescimento de 45%. Minas Gerais foi o Estado com o maior aumento: 80,4%. Em Divinópolis, existem 255 estabelecimentos desse tipo cadastrados na Prefeitura. 

Um deles é o da cabeleireira Rosângela Gonçalves Vitor. Quando abriu o negócio, há 20 anos, não tinha o registro. 

— Passei dez anos atendendo clientes em minha própria casa, até que a fiscalização passou por lá. Fui obrigada a registrar a empresa e pagar os altos impostos que o governo impõe. Até hoje não me conformo em ainda ser obrigada a pagar tanto para trabalhar — ela diz. 

Ricardo Welbert
Rosângela pensa em tirar maquininha do salão
O salão de Rosângela possui uma máquina para receber com cartões de crédito e débito. Só para manter o equipamento, a empresária desembolsava R$ 74 por mês.
 
— Só que em três meses pagando essa mensalidade, apenas três clientes pagaram com cartão. Hoje [ontem] fui ao banco para cancelar o serviço. O gerente propôs que eu ficasse com a máquina até maio, pagando R$ 44 mensais. Aceitei, mas se essa máquina continuar me dando prejuízo, vou cancelar — conta.

Expansão

De acordo com o consultor do Sebrae Diogo Reis, o número é maior.
 
— O segmento de serviços de beleza e estética tem crescido bastante. Além dos profissionais que atuam de forma legal, com alvará e licença do Município, é preciso considerar os que trabalham sem o registro — fala. 

Ainda segundo o consultor, a tendência é que cada vez mais prestadores dos serviços atuem dentro da legalidade. 

— Com a abertura da modalidade de microempreendedor individual, em 2009, ficou muito mais fácil abrir o próprio negócio sem correr o risco de ser fechado pela fiscalização — diz.

Pelo programa Microeempeendedor Individual, mesmo quem tenha um investimento inicial pequeno consegue se formalizar, ter CNPJ, contratar funcionários e garantir benefícios previdenciários como aposentadoria por invalidez, auxílio doença, além de vantagens como serviços bancários diferenciados, possibilidade de receber por cartão e isenção do pagamento de alvará. 

Ricardo Welbert
Francinne Chaves diz que faturamento aumentou
A cabeleireira Mislene Corrêa também tem um salão de beleza registrado em seu nome. No ano passado, ela decidiu aderir ao programa. Parceira no negócio, a também cabeleireira Francianne Chaves afirma que o negócio cresceu. 

— Ficou muito mais fácil, pois temos descontos em compras e as taxas de movimentação bancárias são menores. O faturamento melhorou. Em fins de semana, costumamos receber mais de 15 clientes por dia — conta.

Adesão 

Para atrair novos interessados no microempreendedorismo individual, o Sebrae em Divinópolis oferece palestras explicativas gratuitas. O candidato deve comparecer à Sala do Empreendedor, que fica na rua Rio de Janeiro, nº 942, sala 201, das 8h às 17h. O telefone para outras informações é o 3214-9231.

SAIBA MAIS 

Tendências e oportunidades

A expansão de salões de beleza Brasil afora ocorre a tiracolo do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o que demonstra a importância que a beleza vem tomando no panorama brasileiro. Entre os fatores que contribuem para esse mercado estão o aumento da expansão da classe C, a tecnologia de ponta (que gera ganhos de produtividade) e a participação crescente da mulher no mercado de trabalho.