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6 de fev de 2014

Facilidade em abrir templos favorece golpistas, diz pastor


Divinópolis supera média nacional em duas denominações

Ricardo Welbert

O aumento do número de templos evangélicos é uma realidade em várias regiões do Brasil. Principalmente nas periferias, é bastante comum o surgimento de novas igrejas, instaladas em cômodos pequenos que, em pouco tempo, ficam lotados de fiéis. Pessoas que, mesmo com baixa renda familiar, doam o dízimo (décima parte do salário), ou fazem doações em troca de um serviço isento de qualquer imposto: a fé.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde a década de 70 até os dias de hoje, o número de evangélicos no Brasil passou de 15,4% para 22,2% da população religiosa.

Em 2010, o instituto mapeou a população dos municípios a partir das religiões adotadas pelos moradores. Cada entrevistado respondeu a um questionário (tabela nº 1.489 do Censo) com 23 opções de crença evangélica registradas no Brasil (veja o quadro).

Em duas das divisões listadas pelo instituto, Divinópolis superou a média nacional de fiéis. Enquanto 0,19% da população brasileira se disseram seguidores da igreja Maranata, 0,96% dos divinopolitanos fizeram o mesmo. Segundo o pastor José Roberto Teixeira, em 2010 a igreja tinha uma cartela de 2.270 integrantes. Hoje, são 2.670.

Já os membros da Evangelho Quadrangular somaram 0,95%, na média nacional de fiéis, e 1,96%, na local.

Outra curiosidade é o empate de Divinópolis com o Brasil, na categoria de evangélicos de origem pentecostal da Igreja Nova Vida, em 0,05%.

Templos

Diferente da Igreja Católica, que submete pedidos de abertura de novos templos à aprovação do Vaticano, o protestantismo não possui controle sobre os próprios templos. A adesão de novos fiéis a esta religião faz o número de igrejas crescer de forma desordenada. Não são raros os casos de falsos pastores que alugam imóveis, montam um altar, instalam bancos, celebram cultos e depois somem com o dinheiro doado.

Por meio da assessoria de comunicação da Prefeitura, a divisão responsável pela emissão de alvarás de funcionamento disse que é muito difícil saber quantos templos religiosos existem na cidade porque eles são isentos da taxa de alvará. Porém, cerca de 18 imóveis estão registrados na Prefeitura como locais onde ocorrem cultos.

— Percebe-se que é um número muito pequeno em relação à grande quantidade de locais existentes. Em muitos casos, os moradores transformam cômodos da própria casa para receber ali os seus fiéis— comentou a assessoria.

De acordo com a assessoria jurídica da secretaria municipal de Meio Ambiente, Flávia Mourão, apesar de serem isentos de impostos, os responsáveis por templos religiosos precisam seguir normas de segurança e paz social.

— Por serem locais que reúnem grandes aglomerações de pessoas, os templos religiosos podem ser vistoriados pelo Corpo de Bombeiros, mesmo que os responsáveis não peçam a vistoria. Além disso, se for constatado que o templo produz uma intensidade de som superior ao limite máximo permitido em lei municipal para determinados horários, o responsável por ele pode ser notificado e responder de acordo com a lei imposta a todo cidadão — esclarece.

Ontem à tarde, a reportagem tentou obter o número de templos religiosos fiscalizados pelo 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros, em Divinópolis, mas a assessoria não atendeu aos telefonemas.

Brecha para golpes

Ricardo Welbert
Elizeu Ferreira afirma que facilidade atrai aproveitadores
Na avaliação do integrante da igreja Batista (que possui oito igrejas em Divinópolis), Elizeu Ferreira, a facilidade favorece a exploração da fé.

— É claro que muitos se apresentam por aí como evangélicos, mas, na verdade, são aproveitadores que abrem templos em nome do Senhor com o objetivo de tirar dinheiro do próximo e enriquecer com isso. Não é o que ocorre com nossa Igreja Batista de Divinópolis, que possui um registro completo e atualizado de todos os fiéis e os valores de doações feitas. Estas informações ficam disponíveis na administração da igreja — explica.

Ainda segundo Eliseu, a adesão crescente de fiéis ao protestantismo se deve à presença do evangelho em locais aonde outras religiões não chegam, como nas prisões.

— No presídio Floramar, por exemplo, há uma congregação da Igreja Batista, onde presos são inseridos no contexto religioso. Ou seja: estão presos fisicamente, mas livres pela fé — diz.


Presença da religião Evangélica,
no Brasil e em Divinópolis
Variável: população residente (percentual)
Religião
Brasil 
Divinópolis
Evangélicas
22,16
12,63
Evangélicas de Missão
4,03
2,43
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Luterana
0,52
0,00
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Presbiteriana
0,48
0,19
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Metodista
0,18
0,04
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Batista
1,95
1,67
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Congregacional
0,06
-
Evangélicas de Missão - Igreja Evangélica Adventista
0,82
0,52
Evangélicas de Missão - outras
0,02
-
Evangélicas de origem pentecostal
13,30
6,73
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Assembleia de Deus
6,46
1,32
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Congregação Cristã do Brasil
1,20
0,40
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja o Brasil para Cristo
0,10
-
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Evangelho Quadrangular
0,95
1,96
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Universal do Reino de Deus
0,98
0,46
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Casa da Benção
0,07
-
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Deus é Amor
0,44
0,18
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Maranata
0,19
0,96
Evangélicas de origem pentecostal - Igreja Nova Vida
0,05
0,05
Evangélicas de origem pentecostal - Evangélica renovada não determinada
0,01
-
Evangélicas de origem pentecostal - Comunidade Evangélica
0,09
-
Evangélicas de origem pentecostal – outras
2,76
1,41
Evangélica não determinada
4,83
3,48
Fonte: IBGE Fonte: IBGE


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