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8 de abr de 2013

Está perigoso dirigir em Divinópolis, diz motorista assaltado


Ricardo Welbert 

Embora as polícias Militar e Civil se neguem a fornecer os números exatos de furtos e roubos de veículos em Divinópolis, as histórias de quem teve a moto ou o carro levado por bandidos na cidade servem de alerta. Por volta de 1h de ontem, o comerciante Wilson Martins de Freitas, de 65 anos, colocava seu Fiat Palio na garagem de casa, na rua Mato Grosso, no bairro Sidil, quando foi atacado por três homens.

"Eu estava voltando de uma reunião. Quando cheguei à esquina da minha rua, vi três rapazes sentados a mais ou menos 40 metros da minha casa. Achei que eles estivessem batendo papo, mas, quando abri o portão da garagem, os três se aproximaram de mim. Um deles me mostrou um revólver e fez ameaças. Eles pegaram meu relógio e fugiram em meu carro", conta a vítima.

Durante a fuga, os criminosos bateram na traseira de outro carro no km 123 da rodovia MG-050, sentido a Belo Horizonte, no bairro Vila Romana. O impacto foi tão forte que manchas de sangue ficaram no painel do veículo roubado. Mesmo feridos, os bandidos conseguiram deixar o carro e entrar em um matagal.

Policial observa veículo atingido durante fuga de criminosos (foto: Divulgação/PM)
"Consegui recuperar alguns dos meus pertences, que estavam no carro, mas ele ficou bastante danificado. Como tenho seguro total, já mandei arrumar", conta o dono do veículo.

A rota de fuga dos ladrões foi transmitida às viaturas de plantão. Todos os hospitais de Carmo do Cajuru, Cláudio e São Gonçalo do Pará foram informados do caso e alertados para casos de três rapazes feridos. 

Algumas horas depois, dois jovens, de 18 e 19 anos, deram entrada no hospital Santa Mônica, no bairro Padre Libério, em Divinópolis, onde funcionários fizeram uma denúncia de que dois suspeitos haviam chegado ao local bastante molhados, com ferimentos no rosto e na cabeça. Militares foram à unidade e prenderam Gustavo Henrique Salvino Viana, de 18 anos, que possui vários antecedentes criminais, e Lucas José Ferreira Sant'ana, de 19 anos. Com eles, foram apreendidos um celular e o relógio da vítima.

Assaltantes em fuga bateram carro e buscaram por socorro (foto: Ricardo Welbert)
Os suspeitos confessaram o crime com riqueza de detalhes, explicaram como abordaram a vítima e tomaram o veículo dela. Eles ainda contaram que haviam escondido o revólver às margens de um córrego. Porém, embora tenham procurado no local, os militares não encontraram a arma.

Por causa dos ferimentos, os criminosos foram acompanhados ao Pronto-Socorro Regional. Após receberem alta médica, foram levados por militares até a delegacia. Eles responderão por assalto à mão armada, desobediência e porte ilegal de arma e foram encaminhados ao Presídio Floramar. "Espero que fiquem presos, porque existem provas contundentes e eles confessaram. Mas é possível que isso não aconteça, porque, no Brasil, a impunidade impera", reclama o motorista assaltado.

Medo

Esta não foi a primeira experiência de Wilson Martins de Freitas como vítima de assalto. Há 20 anos, ele viveu situação semelhante em São Paulo, na estação da Luz, onde foi agredido e assaltado por um grupo de homens. "Era noite e eu estava a caminho do hotel. Em São Paulo, sair na rua de madrugada realmente é muito perigoso, mas eu não esperava sentir a mesma coisa em Divinópolis, que tem população muito menor", comenta.

Para o comerciante, estes tipos de crimes na cidade só terão queda quando houver mais policiais nas ruas durante a madrugada. "A gente não vê uma presença constante de policiais nas ruas. Se houvesse mais policiais abordando as pessoas durante a madrugada, verificando seus documentos e perguntando o que fazem tão tarde nas ruas, os bandidos sentiriam medo", critica.

Ações

Conforme o jornal "Agora" mostrou em suas duas últimas edições, em reportagens sobre a incidência de furtos e roubos de veículos na cidade, as polícias Militar e Civil afirmam que não medem esforços para investigar e prender os autores destes crimes. O assessor de comunição do 23º Batalhão da PM, capitão Jocimar Lúcio dos Santos, afirma que o policiamento ocorre durante a madrugada, em vários pontos da cidade.

Pela Polícia Civil, o delegado que investiga crimes de furtos e roubos de veículos, Gildeilson Almeida Contão, disse ao jornal que 70% dos veículos furtados em Divinópolis são recuperados. Pela opinião dele, estes tipos de crimes são "esporádicos e casuais, praticados, em sua maioria, por pessoas que furtam ou roubam para quitar dívidas de drogas". 

Ainda segundo explicações do delegado, estes crimes são praticados de forma "amadora", por criminosos que dão preferência para alvos fáceis, como motoristas descuidados e veículos sem equipamentos de segurança. Por isso, ele afirma, é que os motoristas devem ficar atentos à aproximação de pessoas estranhas e investir em equipamentos que possam dificultar as ações dos bandidos.

Esta reportagem, publicada originalmente no jornal Agora de em 6/4/13 (foto: reprodução)

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