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2 de mai de 2011

“Um olhar sinistro. Ele havia percebido que aquele meu alto e claro ‘tsc, tsc’ estava relacionado a ele”

Outro dia, por volta das 15h de uma tarde quente, eu estava embarcando em um ônibus na Praça Brito Conde, região central de Pitangui, quando solicitei um picolé ao garoto que estava na calçada com seu carrinho de gelados. Pela janela, entreguei a moeda ao menino, lembrando-me de quando, há alguns anos, eu estava ali, naquela mesma calçada, fazendo exatamente aquilo. Percebi que o carrinho dele não tinha lixeira acoplada. A sorveteria para a qual trabalhei instalou lixeiras em todos os seus carrinhos quando comentei o fato de que muitos clientes estavam protestando contra a ausência do recipiente para armazenar as embalagens de seus picolés.

Enquanto sentia aquele delicioso sabor de morango, enfiei a embalagem na sacola de compras que levava comigo. Jamais jogaria na rua ou no piso do ônibus. Ainda observando o menino na calçada, percebi a aproximação de outro, com mais ou menos 15 anos de idade. Ele ficou de costas para mim e pude ver o quando sua camisa estava suada. “Mais uma pobre vítima do aquecimento global...”, pensei. O jovem entregou moedas ao garoto que vendia, sacou seu picolé e fez uma coisa que me encheu de raiva. Simplesmente soltou o papel na calçada.

Meu olhar foi atraído para a embalagem no chão. Sem perceber, balancei levemente a cabeça de um lado para o outro, em sinal de reprovação. Subindo o foco de minha visão, percebi que o rapaz sem educação ambiental estava me encarando. Um olhar sinistro. Ele havia percebido que aquele meu alto e claro “tsc, tsc” estava relacionado a ele. Saiu andando para o outro lado, olhando por cima dos ombros, percebendo que eu o seguia com o olhar. Voltei os olhos para a embalagem de picolé na calçada e fiz questão de mover a cabeça mais uma vez em sentido leste e oeste, leste e oeste. O ônibus se moveu. Continuei observando de perto o papel no chão e de longe o infeliz poluidor que, já despreocupado comigo, estava longe.

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