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3 de mai de 2011

Filosofando


Representação do "Mito da Caverna"
(foto: reprodução da internet)
O texto abaixo foi produzido por mim em setembro de 2010 como trabalho para a disciplina de Filosofia, do curso de Comunicação. Estudávamos o “Mito da Caverna” proposto por Platão. Em pouquíssimas palavras, este pensador imaginou homens que viveram sempre dentro de uma caverna, com pés e mãos acorrentados. Eles passavam o tempo olhando para uma parede, admirados com as sombras de pessoas que transitavam no exterior. Não sabiam que eram sombras. Para eles, a beleza da vida estava naquelas silhuetas.

Até que, certa vez, um deles conseguiu sair, viu o brilho do Sol e descobriu que tudo o que sempre considerou mais belo era, na verdade, imagem que corpos reais desenhavam na parede da grota quando se interpunham diante do Sol. Maravilhado, ele voltou para a caverna querendo falar aos demais sobre tudo o que havia lá fora. Porém, seus companheiros não gostaram do que ouviram, não aceitaram o chamado e ainda o ameaçaram de morte. A caverna filosófica seria a escuridão criada pela falta de conhecimento. A luz do Sol seria a iluminação, o conhecimento, a sabedoria.

A professora Sânia Mascarenhas propôs que recriássemos o “Mito da Caverna”. Imaginei uma mulher que nunca tinha visto a luz solar. Era como se vivesse na caverna imaginada por Platão. Até que tudo ficou claro e vieram os questionamentos. Confira.

CHINESA SAI DA CAVERNA
Primeiro transplante ocular é realizado com sucesso

Ricardo Welbert

Um grupo de cientistas chineses divulgou, nesta semana, o sucesso alcançado em uma experiência tão inovadora quanto promissora. Composto por um grupo de renomados oftamologistas e neurologistas, entre outros especialistas, obteve êxito ao implantar novos glóbulos oculares em uma pessoa cega desde o nascimento. A notícia animou a comunidade científica.

A cobaia foi uma mulher de 33 anos. Lin Yao teve um problema genético logo nos primeiros meses de gestação que a impossibilitou de olhar a luminosidade que havia fora do útero da mãe. “Ela jamais enxergou sequer um fio de luz”, garante Ai Chang, genitora de Yao. Os pesquisadores criaram um banco de dados com informações de mais de quinhentos chineses cegos desde o nascimento. Após uma bateria de exames, Lin Yao foi a escolhida. A cirurgia transcorreu conforme o esperado pelos médicos.

Desde que nasceu, Lin Yao via o mundo com tato, olfato, paladar e audição. “Ela vivia se perguntando por que as pessoas diziam que ela não era normal. Que pessoas normais olhavam para o espelho e viam a si mesmas. Muitas vezes, Lin me perguntava o que era um espelho e eu me embaraçava na tentativa de explicar”, conta Chang.

Os glóbulos oculares implantados em Lin Yao pertenciam a outra mulher de mesma idade prestes a morrer de câncer. Antes, no entanto, a doadora assinou um termo autorizando a remoção de seus glóbulos. “Já vi muita coisa nessa vida. A escuridão me acolherá em breve. De onde estiver, pois meu destino é incerto, estarei torcendo pelo sucesso da iniciativa”, declarou.

Os especialistas que participaram do procedimento explicaram que, a partir da perfeição do implante, a reação da paciente seria imprevisível. E realmente foi. “Conforme a visão se tornava clara, Yao tentava gritar e não conseguia. Ela perdeu o equilíbrio. Foi como se os ruídos ao seu redor tivessem sido amplificados. Ela se debatia querendo tocar tudo: a cama, o travesseiro, os equipamentos médicos”.

Um prato com macarrão ao molho, alimento preferido de Yao, foi colocado ao lado dela. Ela soube o que era apenas pelo cheiro. Levou à boca, sentiu o gosto familiar e se espantou ao ver os fios de massa.

Um passo e tanto

A equipe de especialistas que cuida de Lin Yao diz que ela dará uma entrevista coletiva daqui a, pelo menos, dois meses. Estudiosos das mais variadas áreas e ciências estão se inscrevendo na esperança de terem uma conversa particular com a chinesa. A Filosofia, por exemplo, liga o caso ao Mito da Caverna, escrito por Platão, que previa o espanto gerado em homens que viveram desde o nascimento confinados em uma caverna, vendo apenas sombras projetadas nas paredes por outros homens que viviam no ambiente externo.

Um dos jornalistas que deverão trabalhar na coletiva de Lin Yao afirma já ter o que perguntar para a mulher: “vou querer saber se ela, depois de ver o mundo como ele é, pensaria em voltar para a escuridão em que vivia”.

Um comentário:

Fábio disse...

Postagem bacana e muito bem escrita, além de criativa também. Parabéns pelo trabalho. Abs, Fábio

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