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28 de set de 2009

O caso de Vila Isabel

No último final de semana tomou conta da mídia brasileira o caso do assaltante morto em Vila Isabel após fazer uma comerciante refém.

Eu tive conhecimento deste fato da seguinte maneira: era quase meia-noite, cheguei da faculdade e meu cunhado me disse: "nossa... Assiste o Jornal da Globo pra você ver... Um cara fez uma mulher de refém, estava ameaçando explodir uma granada. A polícia deu um tiro que pegou bem no meio da testa do desgraçado".

Eu assisto o Jornal da Globo todas as noites, de segunda à sexta. Este foi o primeiro destaque da edição da última sexta-feira. Eu assisti a reportagem e aposto que você que está me lendo também viu na tv ou leu em algum jornal.

Fica apenas uma dúvida: teria a polícia feito a coisa certa? Deveria mesmo ter matado o homem?

Bom... Gente... Claro que não deveriam. Mas não é uma questão de que devessem tê-lo matado mesmo. Ele estava com uma granada de guerra na mão. Aliás, chegou a soltar o pino duas vezes como ameaça. Ele poderia, em um simples descuido, com tanto nervosismo, deixar o artefato cair e explodir junto com a pobre e inocente comerciante, além de tudo e todos em volta. Na minha opinião, na opinião deste blogueiro, não havia outra saída para a Polícia senão essa.

Mas gostaria que você, meu leitor, lesse também esta reportagem publicada no site do jornal Extra.

Mãe de assaltante morto em Vila Isabel após fazer comerciante refém sai em defesa do filho

Duas mães, dois dramas distintos. No mesmo momento em que Ana Cristina Garrido agradecia ao major João Busnello, no sábado, Edmar Paula Mattos (foto acima) chorava a morte do filho. Sérgio Ferreira Pinto Júnior foi morto com um tiro disparado pelo oficial da PM na sexta-feira, em Vilia Isabel, quando mantinah Ana refém. Edmar, que trabalhava no dia da ação, não acompanhou os últimos minutos de vida do filho.

- Eu não queria que ele (Sérgio) tivesse morrido... Mas os policiais fizeram um ótimo trabalho - disse Ana, que recebeu a visita do major Busnello e relembrou os momentos do dia anterior.

- Na hora do tiro, pensei que tivesse sido atingida. Corri pelo instinto. Eu lembrava muito do Caso 174, em que a refém morreu, mas pedi a Deus para sair viva. "A polícia poderia ter esperado"

Longe dali, no Engenho Novo, a mãe de Sérgio recebeu a equipe do EXTRA em casa, e também relembrou o drama de sexta. Em meio a lágrimas, suspirava:

- A polícia poderia ter esperado um pouco mais. Ele não ia detonar a granada, a índole dele não era essa - lamentou Edmar, que trabalha como doméstica.

Segundo ela, Sérgio concluiu o ensino médio e estava desempregado há três anos. Era chamado para entrevistas, mas não conseguia ser contratado:

- Ele estava desesperado, achava que tinha que me dar do bom e do melhor.

A irmã de Sérgio, Karen Patrícia Mattos, de 22 anos, questionou a ação policial:

- Não precisava dar um tiro na cabeça dele.

Edmar prestou depoimento à polícia no fim da noite de sexta-feira e revelou que esteve com o filho no domingo anterior, quando ele levou a filha de 3 anos para vê-la. A família ainda tenta arrecadar dinheiro para conseguir pagar o enterro.

http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/materias/2009/09/27/mae-de-assaltante-morto-em-vila-isabel-apos-fazer-comerciante-refem-sai-em-defesa-do-filho-767800488.asp)

O coronel Fernando Príncipe, comandante do 6 BPM (Tijuca), admitiu que o ideal era que a polícia tivesse conseguido prender Sérgio Ferreira e não o tivesse matado. Segundo o comandante essa era a única saída e pediu que a família do assaltante Sérgio Ferreira Pinto Junior, de 24 anos entenda a ação da polícia.

Segundo ele, o tiro disparado na cabeça do assaltante era a única medida recomendável para evitar uma tragédia maior. — Nesses casos, a orientação é atirar na região central, que compreende o nariz e testa. É a única que causa um espasmo muscular que impede qualquer reação. Se este ponto fosse no dedo pé, atiraríamos no pé, mas não é.

Se o tiro fosse dado em outro ponto do corpo, ele ainda conseguiria acionar a granada que estava em suas mãos, ou mesmo fazer um disparo de arma de fogo contra a refém, se fosse o caso. Não havia outra ação a executar. Por isso pedimos que a família dele entenda a atitude da Polícia Militar. A PM também emitiu uma nota sobre o caso.

No texto, a corporação diz que “compreende a posição da família”, mas argumenta que “agiu dentro da técnica e do profissionalismo, com a intenção de preservar primeiramente a vítima, depois os policiais que estavam no raio de ação da granada de alto poder destrutivo”.

A nota afirma ainda que a “intenção era prender o criminoso com vida, entretanto ele não permitiu”.

Um comentário:

Marina disse...

Ótimo, muito eficiente sua informação. Até já tinha visto alguma coisa sobre isso mas não com tantos detalhes e seu toque especial né?rs Parabéns! Na minha humilde opinião os policiais não tinham mesmo outra opção, era uma "roleta russa", ou atiravam ou deixavam a vida da comerciante nas mãos dele, a disposição dos caprichos dele. Enfim, por aí a gente vê que o crime não compensa. Serve pra quem tá pensando em entrar nessa vida parar e pensar mil vezes, pode ser um caminho sem volta, geralmente é, mesmo que não acabe em morte.

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