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30 de mai de 2008

A mulher no mercado de trabalho


As relações sociais no que diz respeito às relações de gênero – inclusive na movimentação de cada um ao longo da história – têm sido cada vez mais modificadas. Hoje a figura feminina tem suas funções identificadas muito além daquela dona de casa, que se casa, põe filhos ao mundo e dedica os anos seguintes ao casamento a cuidar das crias e do marido enquanto estes se empenham em estudar e trabalhar.
Nos últimos 50 anos o mercado de trabalho vem sendo cada vez mais dominado por elas. Hoje em dia já vemos casos de mulheres que preenchem cargos de altos níveis, há até poucos anos uma conquista inimaginável. A explicação para esta dominância é evidente e oculta entre fatores econômicos e sociais. O avanço da industrialização trouxe o aumento na produção, alimentando o aumento da urbanização e derrubando a taxa de fecundidade: as mulheres agora não são apenas para o lar. Muitas espremem a rotina e conseguem conciliar a nova postura feminina com as tarefas históricas – agora elas correm atrás, dedicam-se para morderem regalias masculinas.
A rebelião feminina no final dos anos 60, nos Estados Unidos e Europa foi outro ponto fundamental para que o movimento feminino se levantasse e fizesse com que a mulher passasse a se interessar e logo fazer parte da vida política de vários países do mundo. Ainda existem regiões em que a religião ordena que mulheres se escondam debaixo de panos – Deus era homem. Seria ele machista?
No Brasil não resta dúvida de que está cada vez mais bitolada a relação entre trabalho e educação no desenvolvimento de grupos sociais.
Porém, mesmo com o significativo crescimento feminino no mercado, ainda não foram superados empecilhos de acesso a cargos e salários elevados. Por isso, muitas mulheres ainda aceitam trabalhos miseráveis para ajudarem no sustento de sua família, assim como ainda as trabalhadoras brasileiras concentram-se nas atividades do setor de serviços (80% das com formação escolar são professoras, manicures, atendentes, funcionárias públicas e agentes em setores de saúde). O maior contingente concentra-se no serviço doméstico remunerado, que agregam 56% de mulheres negras e os mais baixos níveis salariais segundo dados do IBGE.
O trabalho não remunerado da mulher, sobretudo no âmbito familiar não agrega valor social – nem pelas próprias mulheres - não obstante sua contribuição para o aumento significativo da renda familiar.
Sabemos que toda uma formação cultural contribui com o quadro de “naturalização” do feminismo, fragmentando a sociedade em dois espaços de conquistas, em variação dos sexos, e que são temas muitas vezes esquecidos em análises sócio-econômicas. As relações homem/mulher são escondidas na (aparente) neutralidade de conceitos e colocam pregos no caminho das profissionais que visam alcançar altos postos na educação, na economia e na sociologia.
Estejam elas limpando pisos ou na direção de grandes empresas, as mulheres convivem com problemas de ordem profissional e privada, que se misturam frequentemente, podendo dificultar seu desempenho profissional e qualificativo, questões que não abalam as estruturas masculinas, pois os fenótipos do homem trabalhador de fora e da mulher trabalhadora do lar parecem não se deixar alterar.
Por fim, hoje observamos possibilidades de um novo conceito de trabalho, envolvido pela relação pacífica entre os sexos, de um núcleo familiar igual, democrático. Os fatos históricos possibilitam agora uma discussão mais conceituada sobre o assunto, o que faz com que os processos de desigualdade em relação aos gêneros sejam cada vez mais banidos de nossa sociedade. Afinal, independentemente da roupa de baixo, somos todos iguais e qualificados para os cargos que nos forem possibilitados e que nos venham a agradar.

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