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9 de dez de 2010

E se fosse o fim da linha?


Acostumado a apresentar informações sobre acidentes de trânsito nas rodovias da região Centro-oeste de Minas, por alguns segundos desta terça-feira (7) imaginei meu nome sendo divulgado em alguma reportagem. Imaginei meu nome sendo pronunciado pelos locutores das rádios e da igreja. Eu estava lendo uma biografia dos Titãs enquanto seguia tranquilamente para a faculdade na mesma van de sempre quando, por causa da pista molhada pela chuva, o veículo aquaplanou.

Sentado na última fileira, me agarrei à poltrona da frente e fiquei vendo a paisagem girar. Via a estrada, via o mato. A estrada, o mato, a estrada e outra vez o mato. Pensei que o negócio fosse capotar. Senti a adrenalina subir. De repente, tudo parou. A van estava atravessada na rodovia. Imediatamente, Guilherme desceu para sinalizar a pista e alertar os motoristas para o perigo de colisão. Flávio (o motorista) pisou no acelerador e puxou a van para o acostamento. Logo após fazer isto, uma carreta de transporte de combustível modelo “bi-trem” passou. Escapamos por bem pouco.

Quando cai a ficha de que tudo não passou de susto, diversas reações afloram. Silvana, assustada, culpou o pobre Flávio (mesmo ele não tendo culpa alguma no incidente. Não estávamos em alta velocidade. Aliás, parabéns ao piloto pelo excelente controle da direção durante a derrapagem). Ana Láucia disse ter pensado apenas na mãe se despedindo dela pelo telefone minutos antes. Com a van encostada e a visão da carreta passando onde há poucos segundos havia um grupo de estudantes, refleti sobre o quanto a vida é preciosa e frágil.

Muitas pessoas perdem a vida em momentos como este a todo instante. Morrem às vezes sem perceber. E se estivéssemos rodado segundos depois? E se ainda estivéssemos sobre a faixa central da via quando a carreta surgiu na curva?

Passado o pior, o motorista percebeu que algo estava errado. A primeira marcha não engatava. De repente, eis que surge um microônibus transportando estudantes da mesma faculdade que nós. Flávio fez sinal e o condutor parou. Pegamos carona com esse pessoal.

Antes de entrar na sala, telefonei para minha namorada e falei sobre o acontecido. Ela ficou assustada e se disse aliviada por estar ouvindo minha voz. Já postado diante do professor, recebo um SMS dela que dizia: “Fiquei nervosa ao pensar que isso poderia ter interrompido nossos planos para o futuro”.

Em casa, falei com minha mãe sobre o ocorrido e logo me arrependi. Dona Neida vive preocupada com o filho que pega a estrada para estudar. Tenho certeza de que hoje ela rezará ainda mais por mim – o que me deixa bem feliz.

Por que estou citando tudo isto aqui no blog? Porque é importante para me lembrar – e lembrar a você – o quanto família é importante. Nunca perca a oportunidade de dar um beijo em sua mãe, esposa, filhos ou qualquer outro ente querido antes de sair. Caso você não volte, estas pessoas vão chorar. Poderão, inclusive, culpar a si próprias por deixá-lo partir. Pense nisso.


2 comentários:

Marina disse...

Perfeito como sempre. Você e suas belas medidações. Na verdade geralmente elas são mais jornalísticas né? Não deixa de fugir um pouco a regra. Tenho certeza que depois desse incidente sua vida vai ter outra forma sim.

Graças a Deus nada aconteceu mesmo, ficaria "orfã" de um dos meus melhores amigos. Agradeço a Deus também por tudo ter ficado bem.

Beijos

Ricardo Welbert disse...

Obrigado, Marina!

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