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16 de jan de 2008

A TROPA FORA DA ELITE


Se você é dos poucos e raros que ainda não assistiram ao filme Tropa de Elite, está esperando o quê? O sucesso de bilheteria nacional, que fez sucesso antes mesmo de chegar às salas de cinema (quando alguém de um estúdio de edição emprestou uma cópia a um amigo, que emprestou a outro, que copiou e passou para outro até que começassem a produzir cópias em massa) é um filme imperdível. Enquanto alguns (poucos) o consideram um filme violento, marca registrada dos filmes brasileiros (assistiu à Cidade de Deus ou Carandiru?), outros vêem exatamente o que os produtores de Tropa de Elite quiseram mostrar: a realidade da segurança no Brasil. O filme dirigido por José Padilha mostra a corrupção e honestidade que dividem o Bope (assim como outras polícias, como Militar e Civil). Estima-se que mais de cinco milhões de pessoas já tenham assistido à película só no Brasil (incluindo aí as cópias piratas, que não são poucas). A produção do filme espera arrecadar 50% a mais do que foi investido no filme (R$ 2 milhões) a partir da exibição em outros países. Um dos favoritos ao Oscar 2008, Tropa de Elite perdeu o posto de indicado à melhor filme extrangeiro para O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, produção de Cao Hambúrguer. Conforme parte da equipe que trabalhou em Tropa de Elite disse para a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, as previsões de indicação de Tropa ao Oscar não eram otimistas, pois temiam que a comissão do Ministério da Cultura usasse o discurso de que filme violento não faz sucesso no Oscar, o que é um absurdo, embora o filme de Cao Hambúrguer também não seja ruim. Mas quem já assistiu aos dois filmes sabe que Tropa de Elite teria um alto potencial para vencer se fosse indicado ao prêmio americano, que diminui drasticamente com O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Como o brasileiro hoje liga muito as novelas (especialmente as Globais) ao cinema nacional, se um filme tiver atores bonitinhos no elenco, a chance de ser sucesso aumenta. É o mal do cinema nacional. Tropa de Elite poderia detonar, entrar para a história como o primeiro filme brasileiro vencedor do Oscar, mas o formato não agrada lá fora, onde estão acostumados a produções cheias de computação gráfica, até a violência lá é coisa de outro mundo. O que Tropa mostra é realidade apenas para nós, brasileiros. Tropa de Elite é um dos raríssimos filmes brasileiros que trata bandido como bandido, num país onde rappers fazem sucesso com músicas que fazem apologia ao crime (a própria trilha sonora de Tropa de Elite, com aquele ridículo “pá pa rá pá pá pá” que hoje vemos até crianças cantando) e ficam soltos. Apesar de também ser bom, O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias é bem fraquinho (a história de alguém que queria promover um banho de sangue nos anos 70 e agora quer ser mocinho) em relação à Tropa. A verdade é que Hollywood adora um dramalhão e é confidente à chatices comuns em seus sucessos. Talvez O Ano Em Que Meus Pais blá blá blá até tenha chance de vencer.

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