Inspirado no lema "Nós vendemos espaço, não vendemos opinião", que em 1952 o jornalista Januário Carneiro instituiu como norte da rádio Itatiaia, o meu lema pessoal é este: eu vendo capacidade de trabalho, não vendo opinião.
Se eu trabalho para um órgão de imprensa que me paga para produzir reportagens imparciais, eu, como jornalista, cumpro o nobre dever de ouvir todos os lados e criar conteúdos isentos de opinião. Isso não é nem um pouco difícil para mim, porque como jornalista profissional eu sei produzir conteúdo imparcial quando a minha missão é essa.
Tanto que, como repórter, frequentemente entrevisto pessoas portadoras de ideias com as quais eu não concordo. Isso nunca me impediu e nunca me impedirá de fazer jornalismo imparcial.
Porém, quando escrevo um artigo de opinião ou faço uma charge para serem publicados em veículo de notícias, tanto o texto quanto o desenho são opiniões minhas - e não da empresa que as publica. Justamente por serem opinião, são publicados com a devida identificação visual de que se trata de análise - e não de reportagem.
Cada empresa de comunicação tem sua própria linha editorial. Portanto, todo conteúdo publicado por elas passa pelo crivo dos editores, que agem de acordo com orientações que recebem de suas diretorias de redação. Eles escolhem se publicam ou não. Isso é natural e editorialmente responsável.
Na era da internet, independente de para qual veículo de informação eu trabalhe, nunca abri e nunca abrirei mão do meu direito de emitir minhas opiniões nas minhas próprias redes sociais - porque o dono delas sou eu. Podem, evidentemente, discordar do que eu publique em meus canais. Mas nunca poderão me impor como fazê-lo.
Muita gente morreu e sofreu torturas inimagináveis por censores de todos os tipos para que hoje todos nós possamos usufruir da liberdade de opinião - não só na imprensa como nas mídias digitais.
Vale sempre lembrar, claro, que liberdade de opinião não é liberdade de crime. A mesma Constituição que nos permite exercer o pensamento livre também deixa claro que a liberdade termina quando se cruza alguma fronteira ilegal.
O importante é sempre valorizarmos e defendermos esse direto indispensável às democracias. Até porque quem não usufrui da liberdade de expressão sequer vai sentir falta dela quando alguma tirania resolver eliminá-la.

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