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21 de ago de 2009

Vivendo Takai

Acabo de saborear o que é, sem dúvida, um dos melhores álbuns brasileiros que já ouvi. Onde brilhem os olhos seus, de Fernanda Takai. Tive a honra de ganhar uma cópia autografada pela cantora. Infelizmente (ainda) não conheço a Fernanda pessoalmente. Porém, fui muito bem tratado por ela em nossas conversas por e-mail (a possibilidade de aproximar fãs de seus ídolos é uma das grandes vantagens da Internet). Já fiz questão de dizer a ela o quanto gostei do disco e agradeci muito.

O álbum começa com Diz que fui por aí, de Zé Kéti e Hortênsio Rocha. Essa eu já tinha armazenada no computador. Claro, foi uma nova sensação (inexplicável) escuta-la novamente enquanto olhava para a capa autografada.

Lindonéia (Caetano e Gil) é uma letra encantadora. [...] “Despedaçados, atropelados... Cachorros mortos nas ruas... Policiais vigiando... O sol batendo nas frutas... Sangrando... Oh, meu amor... A solidão vai me matar de dor” [...].

Sabe quando uma música desperta algo em você que nem você mesmo consegue explicar? Por favor, ouça Com açúcar, com afeto (Chico Buarque) caso queira saber como é.

Para todos os momentos da vida existem as músicas ideais. Não há alma viva que nunca tenha sentido solidão. Aos adultos cabem, especialmente, as decepções amorosas. Luz negra (letra de Nelson Cavaquinho e Irani Barros) é interpretada por Fernanda Takai com uma doçura única.

Falando em doçura, que delícia é ouvir a clássica Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, de Roberto e Erasmo Carlos, interpretada por esta voz única. Teclados rítmicos proporcionam um clima de paz e amor.

Insensatez (Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes) era outra canção que eu já carregava antes do presente. [...] “Vai meu coração ouve a razão... Usa só sinceridade... Quem semeia vento, diz a razão... Colhe tempestade” [...].

Odeon, sétima faixa do disco, composição de Ernesto Nazareth e Hubaldo com versos de Vinícius de Moraes, encanta enquanto cantada por Fernanda. [...] “Se eu pudesse me lembrar... Como se dança... Esse chorinho... Que hoje em dia... Ninguém sabe mais” soa como um triste desabafo de adoradores da música brasileira que se vêem decepcionados com o esquecimento de suas origens.

Seja o meu céu, de Capinam e Robertinho do Recife, traz em seus versos o nome escolhido para batizar este álbum de releituras.

A nona faixa, Estrada do Sol (Antônio Carlos Jobim e Dolores Duran) retrata o amor de um casal apaixonado. Paixão não correspondida é o tema da faixa dez (Trevo de quatro folhas, de Mort Yixon, Harry Woods e versão de Nilo Sérgio).

Descansa coração (Vitor Young, Ned Washington e versão de Nelson Motta) mostra a decepção de não se ter o amor correspondido. [...] “Hoje eu quero somente esquecer... Quero o corpo sem qualquer querer... Tenho os olhos tão cansados de te ver... Na memória, no sonho e em vão” [...].

Fechando o disco, Canta Maria, de Barroso, e Ta – hi, de Joubert Carvalho.

Sobre Fernanda

O nome dela é Fernanda Barbosa Takai. Nasceu em 25 de agosto de 1971 em Serra do Navio, no Amapá. Cantora profissional de MPB e Pop Rock. Também faz guitarra e violão. Começou a carreira em 1988. É musicista e cronista. Embora ainda vocalista da banda mineira Pato Fu, Fernanda lançou-se em 2007 uma carreira solo com boa repercussão. Além de cantar e tocar, Fernanda também compõe para a banda.

Vive desde os nove anos de idade em Belo Horizonte, onde iniciou sua carreira musical. Desde pequena ouvia música, especialmente rock inglês e pop rock, embora tenha crescido, pela influência da família, com a MPB - um dos motivos que a fez produzir um disco solo em homenagem à Nara Leão (o que tenho em mãos). Assim como eu, ela também lia gibis do Maurício de Souza quando pequena (eu leio até hoje, rs).

Fernanda Takai graduou-se em 1993 em Relações Públicas na Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo ela, se parasse sua carreira musical, exerceria a profissão. Sua carreira musical começou quando ela entrou para a banda "Data Vênia", onde permaneceu de 1988 até ao fim do grupo em 1992. Na banda "Fernanda e 3 do Povo", assim como em "Data Vênia", não lançou nenhum disco e não alcançou repercussão. Entrou em 1991 para a banda "Sustados por 1 Gesto", que veio a ser o embrião do Pato Fu.

No Pato Fu, Fernanda alcançou popularidade como artista, instrumentista e letrista. O sucesso da banda acabou aparecendo no exterior. Em 2001, Takai entrou na lista das 10 melhores cantoras do mundo, realizada pela revista Time. A mesma revista realizou uma outra lista com as melhores bandas do planeta, onde o Pato Fu foi inclúido ao lado de outros grupos, como Radiohead, U2 e Portishead.

Formada em Comunicação pela UFMG, foi sócia de uma empresa de comunicação visual, a DMJ (esta produziu a capa dos dois primeiros discos da banda). Fora da música, Fernanda escreve em um blog e colabora com crônicas nos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. Em novembro de 2007 lançou pela Panda Books seu primeiro livro, Nunca Subestime uma Mulherzinha, uma reunião de crônicas e contos publicados nesses jornais.

Conforme Takai escreve no livro, “[...] a gente ainda alimenta algumas idéias moldadas por um certo movimento retilíneo uniforme bobo do nosso cérebro. Pra qualquer assunto temos lá nossas considerações a fazer. E um dos seres mais agraciados com opiniões dos outros somos nós, as mulherzinhas. E o pior: também fazemos parte dessa engrenagem e, de certa forma, nos sabotamos sem querer”. Os textos são tidos como confessionais e humorísticos.

A Associação Paulista de Críticos de Arte elegeu o solo Onde brilhem os olhos seus (meu presente) - em que Takai canta músicas do repertório de Nara Leão - como o melhor disco de MPB do ano de 2007. Sua maior característica ao lado do Pato Fu é a mistura entre o som da banda − com utilização de guitarras, efeitos eletrônicos, performances de baladas - e seu timbre de voz suave e bastante característico.

P. S.: amo você, Fernanda!

4 comentários:

Nina disse...

PS: Amo Fernanda tbm!
E pato Fu!!
ainda vou ao show... com direito a foto no camarim! =)

Ricardo Welbert disse...

Tomara que sim, Marina.
Tomara que NÓS consigamos isso um dia... kkkk. Valeu!

Marina disse...

Nossa, sua namorada tava frita se a Fernanda te desse uma chance né?rsrs Ficou ótimo seu texto.
Abraço

André disse...

Como já te disse, não tenho muito conhecimento sobre o Trabalho de Fernanda (nem solo e nem com o Pato Fu), Não sei nem explicar como e pq nunca parei para ouvir... Conheço apenas as musias que tocam nas rádios e tals.. mas de certa forma vc me instigou a ouvir e pesquisar sobre ela! No próximo post sobre o mesmo assunto que esse, espero me posicionar melhor! =) Abrax! Texto ótimo!

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