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26 de abr de 2009

A Educação na imprensa

O Brasil é um país que rende ótimas pautas jornalísticas sobre educação. Porém, a mídia quase não utiliza o tema em reportagens. A razão, muitas vezes, é o desinteresse de jornalistas em aprofundar no assunto.


Se a reportagem mostrar um lado resultados positivos em educação no país, existe a tendência de considerar o texto como "produção governamental". É uma problemática, pois a população, que tem direito à educação e à informação, sai perdendo.

A imprensa poderia, por exemplo, abordar largamente a educação em diferentes etinias, e classes sociais, mostrando a educação pelas suas várias facetas.

É importante pregar a necessidade da educação na formação de cidadãos conscientes e capazes de contribuir no desenvolvimento da sociedade.

A educação atualmente explorada pela mídia (mesmo que pouco) refere-se, na maioria das vezes, ao ensino médio e parcerias entre poder público e iniciativa privada. A preparação para o vestibular parece ser a grande preferência dos repórteres quando se vêem diante da pauta. Se lermos 50 reportagens, provavelmente 40 delas falarão a mesma coisa.

A mídia fala muito nos estudantes despreparados para o vestibular, mas não discute o porquê que eles não aprenderam a ler e escrever como devem. É necessário ouvir o corpo docente para entender os reais problemas. Caso contrário, a política jamais avançará.

O texto “Reflexões e recomendações sobre a cobertura da educação na imprensa escrita nacional” publicado no trabalho de análise “A cobertura da educação na mídia”, em dezembro de 2007 pelo Observatório de Educação, explicita a idéia da diversificação de fontes jornalísticas para área educacional.

Os autores mostram que depoimentos das organizações da sociedade civil, comunidade escolar, centros de pesquisa e universidades são importantes para o conhecimento de temáticas ausentes do repertório comum. Mas o acesso a essas fontes não é viável quanto se imagina. Principalmente aos professores.

No estado de São Paulo e outros 17 estados do Brasil existe uma lei de funcionalismo público que proíbe o professor de dar entrevistas. Em São Paulo, essa lei é de 1968. É uma lei anterior a constituição, antes do período da ditadura.

Sem o auxílio de pedagogos e conhecimento prático na área, os jornalistas seguem no desafio de escrever para um público praticamente desconhecido. Por tais motivos, existem poucos jornais que possuem versões infantis com passatempos didáticos e educativos.

Escrever para crianças é um desafio para os jornalistas. O texto e a diagramação adequada aos pequenos ajudam a formar leitores, a criar intimidade entre palavra escrita e a mídia. Educação e mídia sempre será um tema em debate por pesquisadores, educadores, doutores e também jornalistas. Mas o fundamental está na diversificação e divulgação adequada dessa questão importante para a sociedade.

Há necessidade em discutir mais sobre a educação básica como componente de um todo. Existe também outro lado essencial no processo de discussão. É necessário ter a noção de educação como um direito. Deve-se incluir temas e grupos vulneráveis que também estão fora da cobertura.

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